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Brasília

Wellington Luiz busca quarto mandato com força política e comando da CLDF

Wellington Luiz presidente da CLDF e candidato a deputado distrital no Distrito Federal em 2026
Presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz busca o quarto mandato de deputado distrital pelo MDB.

Presidente da Câmara Legislativa disputa a reeleição pelo MDB e aposta na experiência, na ligação histórica com a Polícia Civil e na capacidade de articulação; disputa por terreno no Park Way e divergências internas no partido aparecem entre os pontos de desgaste

O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Wellington Luiz, chega às eleições de 2026 buscando ampliar uma trajetória de mais de uma década na política local. Candidato a deputado distrital pelo MDB, número 15123, ele tenta conquistar o quarto mandato na CLDF.

Policial civil aposentado e ex-presidente do Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol), Wellington construiu sua principal base política entre servidores públicos e profissionais da segurança. Atualmente, além de comandar a Câmara Legislativa, preside o diretório regional do MDB.

Três mandatos e retorno à CLDF em 2022

Wellington foi eleito deputado distrital pela primeira vez em 2010, com 10.333 votos, e conseguiu a reeleição em 2014, com 10.330. Em 2018, recebeu 11.663 votos e ficou na suplência. Quatro anos depois, voltou à Câmara ao conquistar 16.933 votos.

O resultado de 2022 foi sua maior votação nominal para distrital, embora tenha ficado entre as menores votações dos 24 eleitos naquele pleito. Desde então, porém, seu peso institucional cresceu consideravelmente.

Logo no início da atual legislatura, Wellington foi escolhido para presidir a CLDF no biênio 2023-2024. Em agosto de 2024, os deputados anteciparam a escolha da Mesa Diretora seguinte e o reconduziram para comandar a Casa em 2025 e 2026. Todos os 23 parlamentares presentes votaram a favor da nova composição.

Essa capacidade de articulação entre deputados de diferentes partidos é hoje um de seus principais ativos eleitorais.

Segurança pública permanece como principal bandeira

A ligação de Wellington com as forças de segurança antecede sua entrada na política. Ele atuou na Polícia Civil e presidiu o Sinpol por quase 12 anos.

No mandato atual, continuou defendendo pautas relacionadas à valorização dos servidores e das carreiras policiais. Em 2025, participou das articulações pela recomposição salarial das forças de segurança do DF e teve aprovado projeto que garante cinco dias anuais de abono aos servidores das carreiras da Polícia Civil que cumprirem os requisitos previstos em lei.

Em março de 2026, também conduziu na CLDF o debate sobre a regulamentação da previdência dos policiais civis, defendendo urgência para solucionar o que classificou como um vazio jurídico existente há anos.

A presidência da Câmara ampliou ainda sua exposição para temas que vão além da segurança, como orçamento, desenvolvimento urbano e articulação entre Executivo e Legislativo.

Terreno no Park Way é principal ponto de desgaste

O episódio de maior repercussão recente envolve uma área da Caesb no Park Way, onde Wellington Luiz e sua família mantêm residência.

O parlamentar e a esposa buscaram judicialmente reconhecer por usucapião uma fração de aproximadamente 7,8 mil m² do imóvel. Em fevereiro de 2026, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça negou, por unanimidade, recurso apresentado pelo casal.

A discussão ganhou outro capítulo porque, em 2025, a área foi colocada em processo de alienação e a esposa de Wellington venceu a licitação. O Ministério Público do Distrito Federal questionou o procedimento e conseguiu suspender a negociação. Em janeiro de 2026, o TJDFT manteve a suspensão enquanto são analisadas possíveis irregularidades no processo.

Na ação, o MPDFT levantou questionamentos sobre a mudança de postura dos órgãos públicos responsáveis pela área. A decisão judicial destacou a necessidade de apurar se o procedimento administrativo poderia representar tentativa de contornar decisões anteriores sobre o imóvel.

O episódio não deve ser confundido com uma condenação criminal do parlamentar, mas representa um ponto de desgaste político relevante, principalmente por envolver área pertencente a uma empresa pública e questionamentos do Ministério Público.

Racha no MDB expôs disputa interna

Outro desgaste ocorreu dentro do próprio partido.

Em junho de 2026, Rafael Prudente e quatro deputados distritais do MDB apresentaram à direção nacional uma representação relacionada às decisões eleitorais da legenda. Segundo o Correio Braziliense, parte da bancada criticava a concentração de poder nas mãos de Wellington e sua proximidade com o grupo de Celina Leão.

A direção nacional criou uma estrutura para dividir as decisões eleitorais. O MDB ressaltou, entretanto, que não se tratava de intervenção no diretório regional e Wellington permaneceu na presidência da legenda.

Politicamente, o episódio mostrou que, embora tenha grande capacidade de articulação externa, Wellington também enfrenta concorrência e divergências dentro do MDB.

Quais são as chances de Wellington Luiz?

Wellington Luiz entra na eleição como candidato competitivo à reeleição.

Sua votação de 16.933 votos em 2022 não o coloca entre os maiores fenômenos eleitorais da atual legislatura, mas existem outros fatores que fortalecem a candidatura: três mandatos anteriores, presidência da CLDF durante toda a atual legislatura, liderança partidária e forte identificação com servidores e forças de segurança.

O MDB também possui tradição na eleição proporcional do DF. Em exercício de projeção publicado pelo DIAP, considerando desempenho partidário anterior e a configuração atual das legendas, o MDB aparece com potencial para preservar três cadeiras na CLDF — estimativa que não constitui previsão de resultado.

O desafio está na própria nominata. Wellington divide espaço com candidatos conhecidos e atuais parlamentares do MDB, o que torna importante não apenas o desempenho do partido, mas sua colocação interna.

Experiência, comando institucional e articulação colocam Wellington Luiz em condições reais de conquistar o quarto mandato. Por outro lado, a disputa do terreno no Park Way e as divergências recentes dentro do MDB oferecem aos adversários temas capazes de gerar desgaste durante a campanha.

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