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domingo, 08/02/2026

Vorcaro vendeu parte da empresa dona de jatinho para fundo da Reag durante investigações da PF

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JOANA CUNHA, IRAN ALVES E MAELI PRADO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Dois meses antes de ser preso, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro vendeu 55% de sua empresa principal, a Viking Participações, para um fundo de investimentos gerenciado pela Reag. Ele deixou o cargo de administrador da empresa, que foi então ocupado por um ex-despachante de Nova Lima (MG).

A Viking é uma empresa que possui três jatos usados por Vorcaro, incluindo um Falcon 7X avaliado em cerca de R$ 200 milhões, que ele planejava usar para viajar ao exterior no dia de sua prisão, em 17 de novembro. Ele foi libertado 12 dias depois.

A venda da participação da Viking foi registrada oficialmente em setembro de 2025, quando o banco de Vorcaro enfrentava dificuldades. No começo daquele mês, o Banco Central recusou a compra do Master pelo BRB, e logo depois a Polícia Federal iniciou uma investigação sobre o banco.

Documentos da Junta Comercial de Minas Gerais mostram que Vorcaro transferiu a maior parte da Viking para o Stern Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia em 17 de setembro.

Este documento confirma a entrada do fundo Stern na empresa e a saída de Vorcaro da administração, que passou para Adriano Garzon Correa, que não é sócio.

Garzon Correa já foi sócio de outras empresas encerradas, incluindo uma empresa de despachante. Procurado, ele não respondeu.

A assessoria de Vorcaro afirmou que ele ainda controla a Viking e que a venda parcial ocorreu em 2024, com formalizações feitas em 2025. Disse também que a operação seguiu critérios comerciais normais e que Vorcaro está colaborando com as autoridades.

A Reag, que administra o fundo Stern, não comentou.

A empresa Reag está sob investigação por suposta fraude que teria aumentado artificialmente o valor dos ativos do Master. Em agosto de 2025, a Polícia Federal realizou a Operação Carbono Oculto, que investiga o envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) em negócios financeiros.

A Viking, aberta em 2006, é uma das empresas mais antigas de Vorcaro e está envolvida em processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) desde 2020, que apura irregularidades em um fundo imobiliário chamado Brazil Realty.

Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique Vorcaro, são acusados no processo por ligação com investimentos no fundo.

A sede da Viking fica na Avenida Raja Gabaglia, em Belo Horizonte, local que também abriga negócios ligados a Vorcaro e ao pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que foi preso e liberado recentemente em outra operação da Polícia Federal.

A Viking também esteve envolvida em transações imobiliárias polêmicas, como um apartamento de R$ 4,4 milhões doado a uma mulher que se define como sugar baby. Este imóvel foi adquirido da Viking e doado por outra empresa ligada ao pastor Zettel.

Não há informações públicas sobre o valor pago na venda da Viking para o fundo Stern.

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