AUGUSTO TENÓRIO, LAURA SCOFIELD, JÚLIA GALVÃO, CAROLINA LINHARES, ISADORA ALBERNAZ, MATEUS VARGAS e RAPHAEL DI CUNTO
O banqueiro Daniel Vorcaro mantinha diferentes tipos de investimentos em bancos próprios e outros, antes de ser preso por suspeita de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master, segundo informações do Fisco obtidas pela CPI mista do INSS.
Os documentos mostram que bancos e corretoras pagaram a ele R$ 71,4 milhões em rendimentos entre 2016 e 2024, descontados R$ 11,7 milhões de imposto de renda.
Vorcaro investiu em pelo menos 12 instituições financeiras nesse período. A maior parte do lucro veio do próprio Banco Master, que pagou R$ 30,9 milhões. Depois vieram a XP com R$ 13,9 milhões e o BTG com R$ 11,6 milhões.
Do total recebido, 75% vieram de aplicações de renda fixa em bancos próprios, como Master e Máxima, e em outras instituições como Bradesco, BTG e XP. Os rendimentos de renda fixa somaram R$ 53,2 milhões, sendo R$ 12,3 milhões pagos pelo Banco Master.
O Banco Master foi fechado pelo Banco Central em novembro do ano passado, porque suas condições financeiras eram irrecuperáveis, o que encerra as atividades da instituição.
O Banco Máxima, também liquidado pelo Banco Central, pagou cerca de R$ 10,4 milhões em renda fixa a Vorcaro. O BTG pagou R$ 7,5 milhões, incluindo um investimento único de R$ 5 milhões. A bolsa de valores B3 pagou R$ 362 mil em renda fixa.
Os investimentos em renda variável foram de R$ 11,7 milhões. Além disso, Vorcaro recebeu R$ 5,7 milhões provenientes de fundos de investimento, R$ 725 mil de planos de previdência privada e R$ 13,7 mil em títulos de capitalização, principalmente do Bradesco.
Ele investia em fundos ligados a setores como imóveis, energia elétrica e infraestrutura. Em 2024, recebeu aproximadamente R$ 386 mil de fundos imobiliários e R$ 124 mil de fundos de infraestrutura, ambos do BTG Pactual.
Nos planos de previdência, os maiores valores foram pagos pelo Bradesco (R$ 504 mil) e Itaú (R$ 175,7 mil). Nos títulos de capitalização, o Bradesco pagou R$ 13,2 mil ao todo, incluindo prêmios de sorteios.
Vorcaro também tinha contas poupança em pelo menos dois bancos. No fim de 2024, ele tinha R$ 596,6 mil no Safra e R$ 77,7 mil no Bradesco, sendo que a poupança do Safra rendeu R$ 39 mil naquele ano.
A reportagem considerou os rendimentos declarados na declaração de imposto de renda retido na fonte (DIRF) feitos por bancos, corretoras e bolsa de valores.
Não foram considerados salários, dividendos ou outros investimentos não citados na DIRF entre 2016 e 2024, nem contas com rendimentos inferiores a R$ 1.
Em 2024, Vorcaro recebeu R$ 1,7 milhão de salário do Banco Master, com valores mensais de R$ 96 mil até agosto e R$ 100,6 mil de setembro em diante.
Daniel Vorcaro foi preso preventivamente em março, numa nova fase da operação Compliance Zero. A ação também atingiu dois servidores do Banco Central e o seu cunhado Fabiano Zettel.
A ordem de prisão foi dada pelo ministro André Mendonça, do STF, que assumiu os inquéritos relacionados ao caso.
A decisão foi motivada por mensagens no celular de Vorcaro que indicavam planos de simular um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, para intimidá-lo. As investigações revelaram que ele mantinha uma milícia chamada “A Turma” para ameaçar seus inimigos.
Conversas interceptadas mostram que André Esteves, dono do BTG, foi mencionado por Vorcaro como comparando o negócio bancário a uma máfia, onde ninguém sai bem.
Vorcaro relatou estar em constante luta e sob pressão, mencionando que Andre (possivelmente Esteves) havia reduzido ataques.
Na época das mensagens, reportagens indicavam negociações envolvendo o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para proteger as operações de risco do Master e uma compra de carteira de precatórios pelo BTG.
Novas mensagens mostraram que Vorcaro frequentemente reclamava das dificuldades para viabilizar operações de salvamento do Master, informações que foram lidas por parlamentares da CPI do INSS e divulgadas à imprensa.
