Com a delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prestes a ser firmada, nomes importantes no cenário político podem aparecer no processo. O banqueiro já assinou o termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, e a colaboração deve coincidir com o período eleitoral.
As informações fornecidas por Vorcaro podem influenciar a estratégia dos partidos para as eleições de 2026. Desde a assinatura do termo, os advogados do banqueiro intensificam reuniões para coletar informações e apresentar uma proposta oficial às autoridades competentes.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde o início de março, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga a venda de créditos fraudulentos ao Banco de Brasília (BRB).
Os investigadores acreditam que o empresário mantenha uma rede de contatos ampla, incluindo deputados, senadores, ministros do Supremo Tribunal Federal e outras autoridades, e teriam identificado fotos dessas pessoas em eventos com ele.
Principais nomes citados
- O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, contratado pelo Master a pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner.
- O ex-presidente Jair Bolsonaro e o ministro Tarcísio Gomes de Freitas foram mencionados em relação a doações de campanha, assim como Flávio Bolsonaro.
- O senador Ciro Nogueira foi chamado de “grande amigo” por Vorcaro, e teria voado em um helicóptero ligado ao empresário.
- O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, também esteve na mesma aeronave.
- O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, confirmou ter recebido R$ 3,6 milhões do Master e da Reag.
- No Judiciário, os ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Nunes Marques foram citados em conversas do banqueiro.
- Figuras do Banco Central, como Roberto Campos Neto, Paulo Sérgio Neves e Belline Santana, também apareceram nas mensagens.
- Há ainda nomes ligados ao Banco de Brasília, que tentou comprar o Master, banco do Distrito Federal.
O possível envolvimento de Vorcaro tem gerado preocupação no Congresso, com parlamentares de diferentes lados tentando se afastar dos esquemas investigados, temendo o impacto eleitoral.
Pesquisa recente mostrou que 38% dos eleitores evitariam votar em candidatos envolvidos no caso, enquanto 29% considerariam o tema na escolha do voto. Apenas 20% afirmaram que o escândalo não influenciaria sua decisão.
Além da investigação da Polícia Federal e da CPMI, Vorcaro também é alvo da CPI do Crime Organizado no Senado, que avalia possíveis atividades financeiras ilícitas.
Espera pela colaboração
Pela primeira vez, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República vão dividir uma colaboração. Daniel Vorcaro estaria disposto a firmar o acordo sem poupar ninguém, apesar da pressão do Centrão para uma delação seletiva.
Nas próximas semanas, os advogados devem apresentar uma proposta detalhada aos investigadores, indicando fatos, envolvidos e crimes atribuídos.
O avanço do acordo depende da avaliação das autoridades sobre a novidade e relevância das informações. As negociações podem durar cerca de três meses, e o relator do caso no Supremo, ministro André Mendonça, decidirá sobre a homologação. Se homologado, Vorcaro poderá ter benefícios como redução de pena e perdão judicial.
Outra delação em pauta
Além de Vorcaro, João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, negocia um acordo com o Ministério Público de São Paulo após tentativa frustrada com o Ministério Público Federal.
A Reag é investigada por fraude financeira envolvendo ativos do Master e foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apura atuação de facções no setor de combustíveis. Em janeiro, o Banco Central decretou a liquidação da Reag.
Para a delação ser formalizada, o delator precisa entregar provas substanciais, como documentos e gravações, cuja consistência será avaliada pelas instituições competentes.

