ANDRÉ BORGES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), apresentaram versões diferentes durante um debate no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a origem de carteiras de crédito que o banco público comprou a partir de 2025, consideradas problemáticas.
O principal ponto de desacordo foi sobre a transparência da operação e o papel da consultoria Tirreno, que ajudava a organizar os créditos. Mesmo com a divergência, o debate foi tranquilo, sem grandes conflitos.
Vorcaro disse que avisou o BRB sobre um novo jeito de vender créditos a partir de janeiro, em que o Master começaria a negociar créditos criados por outras empresas, não mais só os seus próprios.
“Acho que conversamos algumas vezes dizendo que iniciaríamos esse novo formato, com créditos de terceiros, não produzidos por nós mesmos”, explicou Vorcaro.
Por outro lado, Paulo Henrique Costa disse que o BRB entendia que os créditos vinham do próprio Banco Master, mesmo que ele os tivesse vendido antes a terceiros.
“Eu pensava que as carteiras foram criadas pelo Master, vendidas ou negociadas a terceiros, e que o Master as estava recomprando para vender para nós”, disse Costa.
Ele também comentou que só percebeu a ligação com a Tirreno entre abril e maio, ao notar diferenças nos documentos analisados.
“Ao revisar alguns contratos, vimos um padrão diferente e começamos a perguntar quem realmente criou esses créditos”, afirmou Costa.
Costa explicou que essa informação geralmente não está nos documentos usados para avaliar riscos, o que dificultou identificar logo a origem dos créditos.
Vorcaro, em sua defesa, disse que o Master continuou funcionando e pagou cerca de 10 bilhões de reais em resgates a investidores de março a novembro do ano passado, apesar das dificuldades financeiras.
Para resolver o problema com as carteiras problemáticas, o Master e o BRB fizeram uma troca de ativos. De um total de 12,7 bilhões de reais, cerca de 10,2 bilhões foram trocados por outros créditos, como consignados e imobiliários. O BRB aplicou um desconto médio de 30%, garantindo uma margem de segurança estimada em 2 bilhões de reais para o banco público, disse Costa.
No final, Vorcaro afirmou que a operação não causou prejuízo ao BRB, mas Costa alertou que ainda havia dívidas formais e ativos, como 800 milhões em ações, que precisavam de avaliação final quando o processo foi interrompido pela liquidação do banco.
Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, disse em depoimento à Polícia Federal que o BRB precisará reservar uma quantia grande, perto de 5 bilhões de reais, para cobrir perdas relacionadas ao Banco Master.
Até agora, 2,6 bilhões foram identificados, e o Banco Central já pediu que o BRB faça essa reserva financeira. Ailton de Aquino revelou ainda que esse valor pode aumentar por causa da baixa qualidade dos créditos entregues pelo Master ao BRB.
