Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou uma mensagem para o senador Flávio Bolsonaro um dia antes de ser preso, informando que estava com dificuldades para realizar transferências de dinheiro.
Ele disse que já havia enviado duas parcelas, mas que enfrentava problemas para concluir as transferências. A mensagem foi recuperada a partir dos registros do telefone de Vorcaro.
Vorcaro afirmou: “Está muito difícil, mas vamos conseguir. Se eu passar da próxima semana, resolveremos tudo em seguida”. Isso indica que ele já sabia da ação que resultaria na sua prisão e que precisava esperar até a semana seguinte.
Para esconder os rastros das conversas, Vorcaro enviava imagens temporárias pelo WhatsApp, que desapareciam após serem visualizadas pelos destinatários, entre eles Flávio Bolsonaro e o ministro do STF, Alexandre de Moraes. Ele escrevia a mensagem em um bloco de notas, fazia uma captura da tela e enviava a imagem pelo aplicativo.
Flávio Bolsonaro respondeu à mensagem com palavras de apoio e pediu uma luz para seguir. Vorcaro detalhou que estava com dificuldades para transferir o dinheiro, explicando que o responsável pelos recursos não havia feito a liquidação das parcelas enviadas.
A última troca de mensagens aconteceu em 16 de novembro de 2025. Vorcaro estava em Brasília aguardando para se encontrar com o ministro Alexandre de Moraes. Ele digitou a mensagem, capturou a tela e enviou a imagem que desaparece no WhatsApp, tudo em poucos minutos. Flávio respondeu com um “amém”.
As mensagens tratavam do financiamento do filme “Dark Horse”, que conta a trajetória política de Jair Bolsonaro, especialmente durante seu tempo no Palácio do Planalto. Vorcaro se comprometeu a enviar R$ 134 milhões para o filme, divididos em 14 parcelas. Até sua prisão, sete parcelas haviam sido pagas, somando R$ 67 milhões.
A Polícia Federal investiga Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme.
Mensagens semelhantes foram trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes antes da prisão, demonstrando preocupação e a tentativa de adiamento da operação policial para proteger os interesses financeiros envolvidos.

