LUÍSA MARTINS E JOSÉ MARQUES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
Daniel Vorcaro, que controla o Banco Master, contou à Polícia Federal que a equipe de fiscalização do Banco Central apoiava a venda do Master por meio de acordo de mercado, mas apenas até certo ponto. Ele afirmou que dentro do Banco Central havia divisões, com alguns querendo retirar o banco do mercado, e esses acabaram prevalecendo.
Vorcaro explicou que a diretoria de fiscalização queria evitar problemas maiores e até certo ponto buscava uma solução dentro do mercado. O diretor de fiscalização, Ailton de Aquino, chegou a depor na Polícia Federal sobre o caso.
Segundo o Banco Central, a área sob responsabilidade de Ailton de Aquino foi quem identificou irregularidades nas operações do Banco Master e alertou o Ministério Público Federal sobre possíveis crimes.
Quando procurado para comentar as declarações de Vorcaro, o Banco Central preferiu não se manifestar.
O depoimento foi dado em 30 de dezembro no Supremo Tribunal Federal e antecipou um confronto de versões entre Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa. A investigação está sob a condução do ministro Dias Toffoli.
Vorcaro disse à delegada Janaína Palazzo que a ordem de prisão foi uma surpresa, pois o Banco Central acompanhava de perto toda a operação de venda do Banco Master para o BRB. Segundo ele, nada acontecia sem o conhecimento do Banco Central.
Ele ressaltou que dentro do Banco Central havia pessoas que apoiavam uma solução de mercado e outros departamentos que queriam que a situação do banco fosse encerrada de outra forma.
O banqueiro afirmou ainda que o Banco Central supervisionava diariamente as operações do Master, incluindo as negociações das carteiras de crédito consignado da empresa Tirreno. Cada passo dado pelo banco era comunicado ao Banco Central.
Relatou que em março recebeu uma notificação do Banco Central para esclarecer questões sobre a cobrança da carteira contratada com associações. Depois de responder as dúvidas, não recebeu mais notificações apontando irregularidades.
Para Vorcaro, não havia entendimento ou determinação clara de que as carteiras apresentavam problemas reais. Contudo, em 17 de novembro, ele foi preso sem que houvesse mais questionamentos após março, deixando-o com dúvidas sobre o processo.
A Polícia Federal deve ouvir mais oito investigados na Operação Compliance Zero nas próximas segundas e terças-feiras. O ministro Dias Toffoli disse que esses depoimentos são importantes para o sucesso das investigações e para proteger o sistema financeiro do país.
