Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, afirmou à Polícia Federal que Daniel Vorcaro estava totalmente a par e comandava as operações de empréstimo consignado do banco. Augusto Lima é investigado por suspeitas de crimes financeiros ligados ao Banco Master.
Segundo seu depoimento, Vorcaro não só conhecia os detalhes do empréstimo consignado como também tomava todas as decisões importantes relacionadas às operações, finanças e estratégias do banco.
Augusto Lima disse que, diferentemente do que Vorcaro afirmou em seu depoimento anterior, este estava muito envolvido na área e dava ordens diretas mesmo quando havia dúvidas sobre contratos que deveriam ser processados. Ele também afirmou que Vorcaro orientava os funcionários a fornecer respostas evasivas ou falsas quando questionados por auditores e pelo Banco Central sobre a origem dos créditos.
O ex-sócio ainda contou que para dar aparência legal às operações, eram usados nomes de associações de servidores públicos e estruturas de crédito criadas por ele para justificar e aumentar os valores negociados.
Augusto Lima explicou que o volume inicial das operações era baseado em créditos legítimos e com bom histórico de pagamento, mas o montante real exigido pelos auditores era muito maior do que a base poderia suportar.
Para ele, é improvável que o principal executivo do banco desconhecesse uma atividade tão importante e destacou as conversas internas nas quais Vorcaro dava ordens claras sobre como classificar e movimentar essas operações.
Augusto Lima decidiu sair da gestão do Banco Master entre 2022 e 2023, devido a discordâncias com Vorcaro sobre as estratégias a serem adotadas. Ele preferia focar nas operações que estruturou, enquanto Vorcaro direcionava o banco para outras áreas, como aquisições de empresas.
A saída de Lima foi mantida em segredo para evitar instabilidade no mercado e, desde então, ele atua apenas como prestador de serviços até transferir suas operações para outra instituição.
A Polícia Federal já concluiu o primeiro inquérito e indiciou Daniel Vorcaro, Augusto Lima e outras pessoas por suspeitas de crimes financeiros relacionados à venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília.
A defesa de Lima nega qualquer envolvimento direto ou indireto em fraudes investigadas.

