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sexta-feira, 16/01/2026

Vorcaro comprou mansão em Brasília com empréstimo do Banco Master

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Em Brasília

LUCAS MARCHESINI E ADRIANA FERNANDES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, utilizou um empréstimo do próprio banco, que foi desviado, para comprar uma mansão de R$ 36 milhões na qual ele se hospedava durante suas visitas a Brasília.

A compra foi realizada pela empresa Super Empreendimentos e Participação, que, segundo Vorcaro, tem como sócio seu cunhado, Fabiano Zettel.

A Super está entre 35 empresas suspeitas de fazer empréstimos falsos junto ao Banco Master, segundo uma lista obtida pela Folha, para alimentar um esquema onde fundos desviavam dinheiro do banco para laranjas, que então retroalimentavam o banco.

Especialistas consultados pela Folha afirmam que essa prática pode ter sido ilegal.

Na época da operação, Zettel era diretor da Super, mas saiu do quadro societário em 23 de julho de 2024, sendo substituído por uma funcionária.

Fabiano Zettel foi alvo da segunda fase da Operação Compliance, deflagrada em 14 de agosto de 2024 pela Polícia Federal. Ele foi preso ao tentar embarcar para Dubai, mas foi liberado horas depois.

Em 8 de maio de 2024, a Super comprou a mansão no Lago Sul usada por Vorcaro enquanto estava em Brasília. A existência da casa foi revelada pela Folha.

Quase um ano após a compra, em 11 de abril de 2025, a Super vendeu a casa para a Prime Aviation 4 Participações, empresa vinculada ao grupo Prime You, do qual Vorcaro é sócio.

Embora o registro da transferência não conste na matrícula do imóvel, a Folha teve acesso à escritura da venda. A casa foi revendida pelo mesmo valor, R$ 36,1 milhões.

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que a relação dele com a Super é comercial, envolvendo compra, venda de ativos e contratos de aluguel, e que o cunhado é sócio da empresa, fato público.

A Super pertence a um fundo denominado Termópilas, cujo único cotista é o fundo Astralo 95. Este fundo é um dos seis apontados pelo Banco Central como integrantes da rede de fraudes do Banco Master, conforme denúncia ao Ministério Público Federal.

O Termópilas assumiu controle da Super em dezembro de 2023, quando o capital da empresa aumentou de R$ 16 milhões para R$ 1,3 bilhão, chegando a R$ 2,6 bilhões em julho de 2024, valor que permanece até hoje.

A pesquisadora da FGV Direito Rio, Layla McClaskey, afirmou que a operação pode causar problemas, seja Vorcaro cotista do fundo Astralo 95 ou não.

Se a empresa for controlada por um fundo ligado a Vorcaro ou ao banco, há um problema sério com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e com o Fisco, por ferir princípios como lealdade, diligência e transparência em operações entre partes relacionadas.

Ela explicou que, nessas situações, a movimentação deve ser claramente indicada e os ganhos do fundo explicitados, caso contrário, trata-se de uma fraude.

A revenda do imóvel pelo mesmo preço, sem lucro, é considerada problemática pois pode ser usada para evitar o pagamento do Imposto de Renda.

Se Vorcaro ou o banco Master não forem os beneficiários finais, todos os cotistas são prejudicados, alertou a especialista.

Um ex-dirigente da CVM, que preferiu não se identificar, sugeriu que a operação pode ser uma forma encontrada por Vorcaro para retirar dinheiro do banco sem pagar dividendos, que são limitados ao lucro da empresa.

Utilizando a estrutura de fundos e empresas, Vorcaro poderia sacar mais recursos da instituição financeira.

Além da mansão em Brasília, a Super possui participação em outras empresas, como uma que faz parte do consórcio que administra o Minascentro em Belo Horizonte e outras relacionadas a esportes em São Paulo.

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