ANGELA BOLDRINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A vereadora do Rio de Janeiro, Thaís Ferreira (PSOL), compartilhou um vídeo em suas redes sociais na segunda-feira (12) onde algumas mulheres contam que foram maltratadas durante o aborto no Hospital Municipal Fernando Magalhães. Ela informou que o vídeo foi feito na sexta-feira (9) e que o hospital confirmou que é verdadeiro.
Thaís Ferreira enviou um pedido para a Prefeitura do Rio, para a direção do hospital e para a Secretaria Municipal de Saúde para que expliquem o que está acontecendo e quais os procedimentos que eles seguem no hospital.
A Secretaria de Saúde foi procurada pela Folha na tarde de segunda-feira, mas ainda não respondeu.
A vereadora disse: “Recebemos muitas denúncias, porque eu era presidente da Comissão de Combate à Violência e ao Racismo no Atendimento Obstétrico”. Ela explicou que as denúncias vieram pelas redes sociais, vindas de pessoas próximas ao hospital.
Em junho de 2025, a Folha mostrou que pacientes relatavam dificuldades para conseguir atendimento e violência psicológica em locais que fazem aborto legal no Rio, inclusive no hospital Fernando Magalhães.
Uma mulher que disse ser paciente gravou o vídeo publicado por Thaís Ferreira. Ela está internada há quatro dias para realizar um aborto e filmou outras mulheres, entre elas uma adolescente. A paciente também procurou uma médica no hospital, que teria se recusado a atender ela e as outras mulheres presentes.
No vídeo, as mulheres procuram aborto por causas previstas em lei ou porque perderam a gravidez e precisam de ajuda médica para expulsar o feto, chamado aborto retido. A demora no procedimento pode causar infecção.
O hospital Fernando Magalhães é um dos primeiros que fazem aborto legal no Brasil, atuando desde 1996. A lei que autorizou o hospital a funcionar desde 1988 enfrentou atrasos por questões políticas e religiosas.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Rio, foram feitos 384 abortos legais no estado em 2024, e 143 até junho de 2025.
No Brasil, o aborto é permitido em casos de estupro, risco para a vida da mulher e bebês com problemas graves (anencefalia). Além disso, todo contato sexual com menores de 14 anos é considerado estupro, pois eles não podem consentir, segundo a lei.
Quando a gravidez deseada termina com a morte do feto ou em abortos espontâneos, os profissionais de saúde devem atender as mulheres e realizar os procedimentos necessários. Mesmo assim, muitas mulheres dizem ter sofrido maus-tratos e violência psicológica nesses casos também.
