O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, anunciou nesta terça-feira a nomeação de três procuradores para investigar as múltiplas mortes ocorridas em decorrência do ataque militar dos Estados Unidos ao país, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Até o momento, o governo venezuelano não divulgou números oficiais sobre mortos ou feridos. Segundo Saab, a investigação buscará esclarecer as mortes de civis e militares durante a ofensiva que aconteceu na madrugada do último sábado em Caracas e outras regiões da Venezuela.
“Nomeamos três procuradores para apurar as dezenas de vítimas civis e militares inocentes que perderam a vida durante este crime de guerra, esta agressão sem precedentes contra a nação venezuelana”, disse o chefe do Ministério Público.
Ele também classificou a ação como uma grave violação do direito internacional, destacando que se trata da primeira agressão militar direta de uma potência estrangeira ao território venezuelano em mais de dois séculos.
Durante uma cerimônia oficial que marcou o início do novo mandato da Assembleia Nacional, Saab criticou a detenção de Maduro nos Estados Unidos, qualificando-a como um “sequestro internacional” e pedindo ao juiz americano responsável que reconheça a falta de jurisdição para julgar um chefe de Estado em exercício.
O procurador-geral exigiu a libertação imediata do presidente venezuelano, sua esposa, e convocou a comunidade internacional a condenar o que definiu como terrorismo de Estado.
De acordo com informações do governo cubano, 32 militares cubanos perderam a vida na operação norte-americana em território venezuelano, estando no país a pedido do governo venezuelano para missões oficiais.
Já o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que muitos do lado oposto, incluindo cubanos, morreram na operação, embora não tenha detalhado os números. Fontes venezuelanas estimam cerca de 80 mortos, e autoridades americanas confirmam ao menos seis soldados feridos.
O episódio intensifica a tensão entre os dois países e coloca em evidência graves questões sobre respeito às soberanias e direitos internacionais.
