Leonardo Fuhrmann e Jorge Abreu
FolhaPress
Durante o Carnaval, os vendedores ambulantes se esforçam para atrair a atenção dos foliões. Alguns se fantasiam, enquanto outros oferecem seus produtos diretamente nas ruas movimentadas entre os desfiles.
Este esforço extra tem um motivo: tentar ganhar mais dinheiro. Fernando Nogueira, 46 anos, que vende bebidas com sua mãe, Maria de Lourdes, 66 anos, no circuito do Ibirapuera, explicou que a prefeitura aumentou o número de vagas, dificultando as vendas por causa da concorrência.
Eles trabalharam durante todo o período do Carnaval, mas só conseguiram lucro no último dia. Fernando comentou que, antes, só conseguiam cobrir os custos investidos.
A empresa patrocinadora do evento, Ambev, tem exclusividade para vender suas bebidas nas áreas de desfile. Os ambulantes, que são independentes, compram esses produtos da Ambev para revender aos foliões. A empresa pagou à prefeitura R$ 30,2 milhões para garantir essa exclusividade entre os dias 7 e 22 de fevereiro.
Fernando, que também trabalha como motorista de aplicativo, ajuda a mãe como ambulante no Carnaval pela sexta vez consecutiva. Ele acredita que seria mais lucrativo dirigir, mas prefere ajudar sua mãe durante a festa. Este ano, 15 mil ambulantes foram cadastrados para trabalhar no evento.
Segundo ele, a falta de organização torna o trabalho mais difícil e menos rentável. Para entrar no local de trabalho no dia seguinte, eles precisam sair cedo para formar fila. Alguns grupos passam a noite na fila para poder descansar.
Os vendedores também enfrentaram dificuldades como a falta de local para descanso e banheiros, além da repressão da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana que ocasionou perda de mercadorias e danos ao equipamento usado para venda.
Tânia Araújo Soares, 34 anos, trabalhou com seus filhos durante o Carnaval. Ela costuma tirar férias do emprego fixo para garantir um dinheiro extra na festa, mas este ano o lucro foi menor do que o esperado, ganhando menos de R$ 2.000, enquanto antes fazia cerca de R$ 8.000 nessa época.
Tânia observa que o aumento no número de vendedores resultou em mais competição, principalmente no Ibirapuera e na rua da Consolação, locais que costuma trabalhar. Ela destaca que muitos ambulantes buscam os mesmos pontos de venda, concentrando a concorrência.
Outro vendedor, Rose Sena, disse que o movimento no bairro da Consolação foi menor comparado ao ano anterior, e atribui isso a problemas na organização da prefeitura e influência do patrocinador do Carnaval, que acabou prejudicando os vendedores e foliões com sobreposição de atrações e falhas na segurança que atrapalharam o fluxo do público.
O Ministério Público do Trabalho recomendou à prefeitura e demais responsáveis que oferecessem infraestrutura adequada aos ambulantes, incluindo espaços e condições para o trabalho durante a festa.
A prefeitura informou que o cadastro dos ambulantes faz parte da organização anual do Carnaval, que este ano foi realizado pela Ambev, patrocinadora oficial, que também entregou kits para os vendedores registrados.
A Ambev declarou que cumpre todas as regras do contrato de patrocínio e oferece suporte e estrutura aos ambulantes, colaborando com a prefeitura para melhorar o Carnaval a cada ano.

