LUIS EDUARDO DE SOUSA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O lenacapavir, um medicamento aprovado recentemente pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), promete ser uma nova forma de prevenção contra a Aids no Brasil. Apesar da aprovação, sua incorporação ao SUS (Sistema Único de Saúde) ainda depende de avaliações técnicas e financeiras por parte das autoridades de saúde.
O custo do medicamento será analisado pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), que definirá o preço máximo, e a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) avaliará o custo-benefício e o impacto financeiro antes de sua adoção no sistema público.
Como o medicamento atua?
O lenacapavir age diretamente no capsídeo do HIV-1, que é uma espécie de proteção para o material genético do vírus, fundamental para sua reprodução. Ao se ligar ao capsídeo, o lenacapavir atrapalha seu funcionamento correto, impedindo que o vírus se replique de forma eficaz dentro das células.
Essa forma de atuação é diferente dos antirretrovirais tradicionais, que atuam sobre enzimas do vírus. Assim, o lenacapavir torna mais difícil o desenvolvimento de resistência pelo HIV, oferecendo uma proteção mais eficaz.
Qual é a eficácia da vacina?
De acordo com a Anvisa, os estudos clínicos mostram que o lenacapavir tem alta eficácia. Ele conseguiu reduzir em 100% a incidência do HIV-1 em mulheres cisgênero e teve desempenho superior quando comparado com a PrEP oral diária disponível atualmente no SUS desde 2018.
É importante destacar que o medicamento age especificamente contra a variante HIV-1, que é responsável por mais de 90% das infecções no mundo e é a mais comum no Brasil.
Quando o remédio deve começar a ser usado pelo SUS?
Depois da aprovação pela Anvisa, o lenacapavir ainda precisa passar pela definição de preço pela CMED e pela avaliação da Conitec, que considerará sua eficácia, segurança e custo. O Ministério da Saúde informou que está aguardando essas análises.
Um desafio para a incorporação ao SUS pode ser o custo do medicamento, que nos Estados Unidos chega a cerca de US$ 28.218 por pessoa ao ano, valor fornecido pela indústria farmacêutica.
Vantagens do lenacapavir
Uma das principais vantagens do lenacapavir é sua aplicação a cada seis meses, eliminando a necessidade de uso diário como na atual PrEP oral. Isso facilita a logística de distribuição, especialmente em regiões com difícil acesso à atenção à saúde.
Além disso, a aplicação semestral é benéfica para grupos com alta mobilidade ou em situação de vulnerabilidade, como populações privadas de liberdade, profissionais do sexo, mulheres trans e jovens em situação de rua.
Quais tipos de lenacapavir existem?
O lenacapavir está disponível em duas formas: comprimidos orais e injeção subcutânea. A forma oral é geralmente usada no começo do tratamento, servindo como um período de transição, já que o fármaco é eliminado rapidamente pelo organismo.
A injeção tem efeito prolongado, sendo indicada para a fase de manutenção da prevenção. Ela deve ser aplicada a cada seis meses enquanto a pessoa optar por esse método.
Se houver um intervalo maior que seis meses entre as aplicações, a forma oral pode ser usada como apoio temporário até a próxima injeção.
