LAIZ MENEZES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A vacina nova contra o HPV, que está disponível apenas na rede privada, teve sua bula atualizada e agora também protege contra câncer na região da garganta e outros tipos de tumores na cabeça e pescoço causados pelo vírus.
O oncologista Marcos André Costa, do Hospital Nove de Julho, explica que anteriormente o Brasil usava somente a vacina que protege contra quatro tipos de HPV (quadrivalente). Em 2023, foi aprovada a vacina que protege contra nove tipos diferentes do vírus, aumentando a proteção.
No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina disponível é a que protege contra quatro tipos de HPV e é indicada para prevenir alguns tipos de câncer como o do colo do útero, vulva, vagina e ânus, além de verrugas e infecções. A vacina nova protege contra esses mesmos problemas e outros.
Apesar disso, tanto a vacina quadrivalente quanto a nova protegem contra o tipo mais perigoso do HPV (tipo 16), que causa a maioria dos casos de câncer na garganta e na cabeça relacionados ao vírus, conforme afirma a consultora em vacinas Rosana Richtmann, dos laboratórios da Dasa.
“Acreditamos que a proteção da vacina nova é muito parecida com a da quadrivalente contra esse tipo de câncer”, explica. Além do tipo 16, outros tipos menos comuns também estão ligados ao câncer.
Marcos André Costa afirma que cerca de 40% dos tumores na cabeça e pescoço estão ligados ao HPV e que estes cânceres atingem mais os homens.
“A ampliação da recomendação pode ajudar muito esse grupo”, diz ele. “Diminuir a infecção contínua pelo vírus na garganta reduz as chances do tecido ser danificado pelos tipos mais perigosos e, assim, evita esses tumores”.
Na rede privada, a vacina nova pode ser aplicada em pessoas entre 9 e 45 anos. O custo pode variar de R$ 940 a R$ 2.679 dependendo do número de doses. O Ministério da Saúde ainda não pediu para incluir esta vacina no SUS.
Os tumores de cabeça e pescoço podem surgir em várias partes, como boca, garganta, laringe, nariz, seios nasais, tireoide e glândulas salivares.
A Anvisa aprovou a atualização da bula em dezembro. De acordo com Rosana Richtmann, essa mudança acontece depois de estudos no dia a dia mostrarem a importância da vacina para prevenir esses tumores.
“A nova indicação é para prevenir a infecção pelos tipos de HPV que causam esses cânceres e mostra uma resposta forte contra esses vírus”, informou a agência.
Um estudo no Brasil com mais de 5.000 jovens de 16 a 25 anos em várias capitais mostrou que entre as mulheres vacinadas, a infecção na boca pelo HPV foi muito menor (0,43%) do que entre as que não tomaram vacina (1,65%).
“Essa indicação é muito importante porque não há exame fácil para detectar câncer na garganta, diferente do câncer do colo do útero, e por isso a vacina é a principal forma de prevenção”, afirma ela.
Rosane Orth Argenta, CEO da Saúde Livre Vacinas, explica que na maioria dos casos o corpo elimina o HPV, mas quando não consegue, os tipos mais perigosos podem causar câncer.
Segundo ela, os estudos mostraram uma grande redução dos tumores na cabeça e pescoço entre quem tomou vacina, especialmente entre os homens, que tiveram até quatro vezes menos casos de câncer na garganta relacionado ao HPV.
A especialista alerta que esses cânceres podem exigir tratamentos difíceis que podem afetar o rosto, mandíbula ou língua.
Ela destaca que a vacinação a partir dos 9 anos é recomendada não por conta do início da vida sexual, mas porque nessa idade o corpo reage melhor à vacina produzindo mais anticorpos e por mais tempo.
O Ministério da Saúde informa que cerca de 76% dos casos de câncer na cabeça e pescoço são descobertos tarde, o que aumenta o risco de morte.
Entre 2017 e 2020, a taxa de mortes por esses cânceres caiu de 5,69 para 5,12 a cada 100 mil pessoas no Brasil. Nos homens caiu de 9,20 para 8,21 e nas mulheres de 2,34 para 2,17 no mesmo período.
