A produção da vacina contra a covid-19 pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz) durante a pandemia mostrou a força da ciência e deixou um legado importante para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 8 de dezembro de 2020, Margaret Keenan foi a primeira pessoa vacinada contra o coronavírus fora dos testes clínicos, marcando uma resposta rápida mundial. No Brasil, o Bio-Manguinhos, que fabrica vacinas e produtos biológicos, começou a trabalhar em março de 2020, iniciando testes e buscando vacinas promissoras.
Em agosto de 2020, começaram as negociações com a Universidade de Oxford e a AstraZeneca para transferência de tecnologia. Para isso, o instituto adaptou suas áreas de produção e concentrou esforços na vacina, contando também com apoio da sociedade para adquirir equipamentos. A primeira remessa de dois milhões de doses chegou em janeiro de 2021, e a vacinação começou em 23 de janeiro, após a aprovação emergencial da Anvisa.
Em fevereiro de 2021, o Bio-Manguinhos passou a engarrafar o ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado, e em fevereiro de 2022, iniciou a produção completa do IFA no Brasil. Ao todo, o instituto entregou 190 milhões de doses para o Programa Nacional de Imunizações. A vacina foi a mais usada em 2021, salvando cerca de 300 mil vidas segundo especialistas.
Com o fim da pandemia, a produção foi interrompida, mas os avanços continuam. Usando a tecnologia da vacina da Oxford/AstraZeneca, o Bio-Manguinhos está desenvolvendo um tratamento avançado para atrofia muscular espinhal (AME), uma doença rara que prejudica a mobilidade e a respiração. Medicamentos atuais podem custar até R$ 7 milhões, e esta nova terapia pretende diminuir os custos para o SUS. A Anvisa autorizou os estudos clínicos que devem começar ainda este ano.
Além disso, testes em humanos para uma vacina nacional contra a covid-19 com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), parecida com a da Pfizer, começam este ano. Esta plataforma, que já é estudada para o câncer, aumenta a independência do país, reduzindo custos e dependência de fornecedores externos.
O desempenho do Bio-Manguinhos elevou sua posição no mundo: é um dos seis centros globais da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias, pronto para produzir vacinas para a América Latina em futuras crises. A OMS o escolheu como centro regional para produtos com tecnologia mRNA. Como laboratório público, seu objetivo é beneficiar a sociedade e não visar lucro, ajudando toda a população brasileira.
