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quarta-feira, 04/03/2026

Vacina contra HPV pode custar até R$ 3.000 para mulheres adultas na rede privada

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Em Brasília

GEOVANA OLIVEIRA
FOLHAPRESS

Quando a vacina contra o HPV foi disponibilizada pelo SUS em 2014, Paula Vilela já tinha 14 anos e não conseguiu receber o imunizante na escola por estar fora da faixa etária na época. Hoje, ela precisa pagar cerca de R$ 3.000 para se vacinar na rede privada.

O câncer de colo do útero é o que mais causa mortes entre mulheres de até 35 anos no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) de 2014 a 2024. Essa doença, causada pelo vírus HPV, pode ser evitada pela vacinação, indicada para mulheres de até 45 anos. No entanto, o custo alto na rede particular limita o acesso.

O Inca projeta um aumento de 14% nos casos até 2028, com mais de 19 mil novos diagnósticos por ano. Em 4 de março, comemora-se o Dia Internacional de Conscientização sobre o HPV.

A vacina contra o HPV foi inicialmente oferecida no SUS para crianças e adolescentes de 9 a 13 anos, depois ampliada para até 14 anos, incluindo também pessoas com sistema imunológico comprometido, vítimas de violência sexual e outras situações especiais. Até junho deste ano, o Ministério da Saúde estende a oferta para jovens entre 15 e 19 anos.

Paula, hoje com 26 anos, relata que diversos ginecologistas recomendaram a vacinação, mas o preço alto na rede particular tem sido um obstáculo. “Gostaria de tomar, mas é muito caro. Fui deixando para depois”, afirma.

O custo por dose da vacina nonavalente varia de R$ 800 a R$ 1.000 sendo necessárias três doses para adultos.

No SUS, é aplicada a vacina quadrivalente, que protege contra quatro tipos do vírus, incluindo os dois que mais causam câncer. Na rede privada, aplicam-se a nonavalente, que protege contra nove tipos, responsáveis por 90% dos casos, dentre mais de 200 tipos existentes.

Letícia Campos, 28 anos, planeja se vacinar há anos, mas o valor das três doses equivale a cerca de um salário mensal e é maior que o seu aluguel em Salvador. Médicos afirmam que o preço eleva a dificuldade de convencer adultos a se imunizarem.

O ginecologista Jorge Elias Neto, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, Criança e Adolescente da Fiocruz, comenta: “O custo médio de R$ 3.000 é muito alto para a maioria das pessoas, especialmente em regiões de classe média. Isso limita bastante o acesso.”

Michele Lima, 28 anos, descobriu HPV há três anos com lesões no colo do útero, e sua ginecologista indicou a vacina nonavalente. Cada dose custou cerca de R$ 900, e ela precisou viajar para receber o imunizante, pois não havia disponibilidade em sua cidade.

O Ministério da Saúde afirma que a faixa etária para vacinação é definida com base em critérios técnicos, epidemiológicos e de sustentabilidade, e que aplicar a vacina antes do início da vida sexual garante maior eficácia e impacto na prevenção.

No entanto, ginecologistas recomendam a vacinação para mulheres adultas como prevenção de longo prazo e para evitar reincidência da doença.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) destacou que há uma geração de mulheres que não teve oportunidade de se vacinar contra o HPV e reforça a importância de não perder essa oportunidade para mulheres adultas, lembrando os benefícios evidenciados em estudos.

A recomendação também vale para homens adultos, já que o HPV pode causar câncer de pênis, canal anal e orofaringe. Em 2024, a Anvisa incluiu na bula da vacina a prevenção do câncer de orofaringe.

Especialistas sugerem que o Programa Nacional de Imunizações inclua mulheres que passaram por cirurgia por lesões avançadas causadas pelo HPV, para proteção contra tipos do vírus ainda não contraídos e para reduzir o risco de reincidência.

Segundo a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas e coordenadora do Comitê de Imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia, “a vacinação é recomendada do ponto de vista técnico, mas limitações orçamentárias e de distribuição precisam ser consideradas.”

Elias Neto acrescenta que, embora o ideal fosse vacinar todos entre 9 e 45 anos, a realidade do país exige priorizar grupos de maior risco para garantir a vacinação.

Especialistas reconhecem que o alto custo limita a ampliação da faixa etária para vacinação, mas reforçam a importância do investimento, pois três doses oferecem proteção por pelo menos 15 anos.

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