BRUNO LUCCA
FOLHAPRESS
A USP (Universidade de São Paulo) fez uma proposta de bônus para seus professores enquanto eles lutam por melhores salários. Essa proposta causou desconfiança entre os professores e dividiu opiniões dentro da categoria. Muitos temem que essa oferta possa prejudicar as negociações para aumento salarial.
Professoras e professores estão organizando reuniões para discutir essa situação.
A proposta da USP, liderada pelo reitor Aluisio Segurado, oferece um adicional de R$ 4.500 para docentes que aceitarem realizar atividades extras, como dar aulas em outra língua ou oferecer cursos de extensão.
Esse pagamento seria mensal, fixo e sem reajustes, por até 24 meses, e válido apenas para professores que trabalham em tempo integral na universidade.
Esse benefício chama-se GACE (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas) e será votado na próxima reunião do Conselho Universitário, marcada para a terça-feira, dia 31.
A reitoria justifica o bônus como uma forma de valorizar o trabalho e a carreira dos docentes da USP.
A administração da universidade calcula que o programa custaria R$ 238,44 milhões por ano.
A associação que representa os docentes da USP, chamada Adusp, alerta que embora bônus e gratificações possam parecer positivos, é necessário analisar a proposta com atenção.
O presidente da Adusp, Márcio Moretto, comentou que a proposta surgiu no meio das negociações salariais das universidades estaduais paulistas. Segundo ele, se os professores da USP aceitarem a proposta, isso pode afetar as campanhas salariais da Unesp e da Unicamp.
Na quinta-feira, dia 26, a Adusp pediu à reitoria que adie a votação dessa proposta para permitir um debate mais amplo dentro da comunidade universitária, com encontros em todas as faculdades.
Sustentabilidade da Proposta
A reitoria apresentou uma segunda proposta de resolução ao Conselho Universitário para mudar as regras financeiras da USP, facilitando a criação de novos benefícios como o GACE.
Essa alteração revoga uma norma de 2017 que controla o quanto a universidade pode gastar, especialmente com salários.
A nova regra retiraria certos pagamentos, como indenizações e valores eventuais, do cálculo dos gastos com pessoal. Isso faria parecer que a universidade gasta menos com salários do que realmente gasta, abrindo espaço para novas despesas.
Além disso, o mecanismo que restringe gastos só funcionaria se dois fatores acontecerem juntos: a universidade estiver no vermelho e gastar pelo menos 80% da receita com funcionários. Assim, seria mais difícil controlar os gastos.
A proposta também muda a forma de calcular se a universidade teve lucro ou prejuízo e sugere a criação de uma reserva financeira para sobras de recursos.
Essas mudanças são vistas como uma forma de preparar o caminho para implantar a bonificação e outras políticas de remuneração.
A reportagem tentou contato com a reitoria sobre as críticas da Adusp e sobre a alteração das regras financeiras, mas a gestão disse que só falará após a reunião do Conselho Universitário.

