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sexta-feira, 20/03/2026




Uso intenso de celular por adolescentes pode afetar notas e causar solidão

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Isabela Palhares
Folhapress

Um estudo da Universidade de San Diego, na Califórnia, Estados Unidos, mostra que adolescentes que usam o celular por muitas horas tendem a ter notas mais baixas e a se sentirem mais sozinhos. O estudo analisou mais de 1,78 milhão de estudantes de 15 e 16 anos, de 36 países membros da OCDE, coletando dados ao longo de mais de 20 anos pelo Pisa, um exame educacional internacional.

O estudo examinou três aspectos entre 2000 e 2022: o desempenho dos estudantes em matemática, leitura e ciências, a quantidade de adolescentes que relatam se sentir solitários na escola e o uso do celular entre esses jovens.

A pesquisadora Jean Marie Twenge dividiu os países em dois grupos: os que tiveram um crescimento maior no uso de celular (mais de 25% de aumento em uma década) e os que tiveram um aumento menor. Observou-se que nos países com maior uso de smartphones, o sentimento de solidão aumentou e as notas caíram mais, especialmente entre 2012 e 2022.

Ela ressalta que existe uma ligação, mas não necessariamente uma causa direta, entre o uso do celular e esses efeitos. O estudo sugere que as escolas e governos considerem limitar o uso dos dispositivos eletrônicos durante o horário escolar.

Em todo o mundo, a sensação de solidão entre jovens na escola cresceu 68% entre 2000 e 2022. Nos países com maior aumento no uso do celular, o percentual de jovens que se sentem sozinhos mais do que dobrou, passando de 8,7% para 19,5%. Já nos países com menor aumento, o índice subiu pouco, de 9,7% para 10,3%.

O estudo também descobriu que o declínio nas notas começou na década de 2010, mas piorou na pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2022. Países com maior aumento no uso do celular tiveram quedas mais grandes no desempenho, principalmente em matemática e ciências, que exigem mais concentração e raciocínio lógico.

Julio César dos Santos, professor do programa de pós-graduação em neurociência da Universidade Federal Fluminense (UFF), comenta que, embora o estudo não prove que o celular é a única causa, ele reúne dados importantes que mostram como o uso excessivo afeta aprendizado e saúde mental.

Ele lembra que o problema não são as telas em si, mas o tempo e o modo como os jovens usam esses dispositivos.

Para diminuir os impactos negativos, a pesquisadora defende a proibição do uso do celular nas escolas, uma medida já adotada por lei no Brasil desde 2025, o atraso na entrega do primeiro aparelho aos filhos até o início da adolescência e o estabelecimento de limites de tempo para o uso pelos familiares.




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