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sexta-feira, 09/01/2026

Universidades federais aumentam dependência de emendas parlamentares com corte no orçamento

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Em Brasília

BRUNO LUCCA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Desde 2014, o orçamento das universidades federais brasileiras tem diminuído, fazendo com que elas dependam cada vez mais das emendas parlamentares para obter recursos.

Essas emendas são propostas feitas por deputados e senadores para direcionar o dinheiro público a obras, serviços e projetos específicos em seus estados ou cidades.

Segundo o Observatório do Conhecimento, as 69 universidades federais receberam R$ 571 milhões em emendas parlamentares em 2025, o que corresponde a cerca de 7,2% dos recursos usados para seu funcionamento.

Esse valor é quatro vezes maior que o de 2014, quando as emendas totalizaram R$ 148 milhões, representando apenas 0,86% do orçamento daquele ano.

Enquanto isso, o orçamento geral das universidades caiu de R$ 17,19 bilhões em 2014 para R$ 7,32 bilhões em 2025, uma queda superior a 50%.

Na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, houve um novo corte, reduzindo o orçamento originalmente previsto de R$ 6,89 bilhões para R$ 6,43 bilhões.

Esse corte prejudica o funcionamento diário, além de afetar bolsas estudantis, pesquisa e extensão, sendo que somente as bolsas tiveram um corte de aproximadamente R$ 100 milhões.

Enquanto os cortes no orçamento básico aumentam, os recursos destinados às emendas parlamentares cresceram para R$ 61 bilhões.

Desde 2014, o total de emendas aprovadas subiu de R$ 9,6 bilhões para um volume muito maior, e a alocação para a educação também cresceu, passando de R$ 306,7 milhões em 2014 para R$ 1,89 bilhão em 2025, em sua maioria para o ensino superior.

Segundo Letícia Inácio, economista e pesquisadora do Observatório do Conhecimento, apesar de ajudarem, as emendas são incertas porque dependem de fatores como promessas eleitorais, situação política e articulação dos gestores, o que gera instabilidade.

A distribuição dos recursos das emendas é desigual entre as universidades federais, com estados como Espírito Santo, Rio de Janeiro e Distrito Federal recebendo mais, enquanto as instituições do Norte, Nordeste e Centro-Oeste recebem menos.

Márcia Barbosa, reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que as emendas só podem ser usadas em projetos específicos, como compra de equipamentos e construção, e não cobrem custos operacionais, o que dificulta o pagamento de despesas básicas como água, luz e alimentação.

Ela ressalta que as emendas não são uma política pública, mas sim um complemento, afirmando: “Quero o básico, passar um ano sem aperto.”

Desde o início do governo Lula (PT), o Ministério da Educação (MEC) tem suplementado o orçamento das universidades para compensar os cortes, destinando R$ 1,7 bilhão em 2023, R$ 734,2 milhões em 2024 e R$ 279,8 milhões para 2025, com a expectativa de novos aportes.

Se esses recursos adicionais não chegarem em breve, o funcionamento das universidades federais pode ser comprometido, segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

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