LAIZ MENEZES
FOLHAPRESS
Um estudo recente, divulgado na revista Human Reproduction, mostra que comer muitos alimentos ultraprocessados pode prejudicar a fertilidade nos homens e também afetar o crescimento do embrião nas mulheres.
Nos homens, esse tipo de alimento está ligado a uma chance menor de engravidar rapidamente e aumenta o risco de dificuldades para conseguir ter filhos, como esperar mais de um ano ou precisar usar tratamentos médicos. Esses resultados foram observados mesmo considerando a alimentação da parceira e outros hábitos de vida.
Nas mulheres, a fertilidade não apresentou uma mudança clara ligada a esses alimentos, mas o estudo mostrou que o consumo de ultraprocessados pode dificultar o desenvolvimento inicial do embrião na gravidez.
Os cientistas da Erasmus University Medical Center, na Holanda, acompanharam casais desde antes de tentarem engravidar até a infância dos filhos. Eles estudaram a alimentação de 831 mulheres e 651 homens na fase pré-gestacional.
Nas gestantes, o consumo desses alimentos foi relacionado a um menor tamanho do saco vitelino na 7ª semana, uma estrutura que nutre o embrião até a placenta se formar. Esse efeito diminuiu nas semanas seguintes.
Os pesquisadores explicam que, para as mulheres, os ultraprocessados podem mudar o ambiente dentro do útero e, nos homens, afetar a qualidade do esperma, dificultando a natação dos espermatozoides até o óvulo.
Joeline Cleto Cerqueira, ginecologista obstetra da Febrasgo, elogia o método do estudo que removeu efeitos de tabagismo, obesidade e álcool, reforçando a confiabilidade das associações achadas. Ela destaca ainda a importância de incluir os homens nos cuidados antes da concepção, mostrando que a responsabilidade não deve recair só sobre as mulheres.
Raquel Magalhães, do Hospital Nove de Julho, alerta que mesmo que os efeitos no embrião no começo da gestação sejam temporários, embriões menores no início podem trazer riscos de nascimento prematuro e baixo peso. Esses fatores estão ligados a maiores chances de problemas de saúde na vida adulta, como pressão alta e diabetes.
O urologista Alex Meller, do Hospital Santa Paula, observa que o estudo incluiu pessoas que consumiam ultraprocessados em quantidade moderada, podendo não mostrar o impacto total em quem consome muito desses alimentos. Ainda assim, ele reforça a recomendação de reduzir esse consumo antes e durante a gravidez, afirmando que quanto menos, melhor.
Os especialistas recomendam uma alimentação parecida com a dieta mediterrânea, rica em frutas, legumes, grãos, peixes e gorduras saudáveis, tanto no ano antes da gravidez quanto no primeiro trimestre gestacional.

