PEDRO LOVISI
BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS)
O governo brasileiro espera que no final de março investidores da União Europeia façam aportes em cinco mineradoras que atuam no Brasil. Esse anúncio faz parte do interesse da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em firmar um acordo com o Brasil para garantir o fornecimento de minerais essenciais para a Europa.
Segundo Ana Paula Repezza, diretora de negócios da Apex Brasil, os europeus estão interessados em mineradoras de terras raras, níquel, lítio e manganês, minerais fundamentais para a produção de carros elétricos, principal meio da UE para reduzir a poluição no setor de transportes.
O anúncio está previsto para 24 de março, durante um fórum na Apex sobre investimentos entre Brasil e Europa. Ela não revelou quais mineradoras receberão os investimentos.
Entre as empresas envolvidas está a Viridis, com capital aberto na Bolsa de Sydney e fundo brasileiro como maior acionista. A Viridis planeja extrair terras raras em Minas Gerais a partir de 2028 e mantém contato frequente com investidores europeus, incluindo o banco francês que financia metade da dívida para seu projeto.
Outras possíveis beneficiadas são a Brazilian Nickel, que pretende operar no Piauí, e a AMG Lithium, já extraindo lítio em Minas Gerais. A AMG tem uma planta de processamento na Alemanha e recebeu 36 milhões de euros de um fundo do governo alemão para expandir suas operações europeias.
Ana Paula Repezza destaca o interesse da UE para que parte do beneficiamento e refino desses minerais ocorra no Brasil, alinhado com a visão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, não há exigências legais, pois essas demandas vêm de mercado.
“Faz sentido a UE apoiar o beneficiamento no Brasil, que usa energia limpa, reduzindo a pegada de carbono”, afirma Repezza.
As negociações com a UE diferem das dos Estados Unidos, que frequentemente assinam contratos garantindo prioridade no fornecimento para seus mercados e mantêm contato direto com mineradoras. Na Europa, o governo atua coordenando os investimentos e o governo brasileiro orienta o direcionamento para projetos estratégicos.
Repezza enfatiza que, além do estágio do projeto, são levados em conta o desenvolvimento regional e as políticas públicas para fortalecer a indústria mineral no Brasil.
Participam das discussões os ministérios de Minas e Energia; Ciência, Tecnologia e Inovação; Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; e o BNDES.
O acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que reduz tarifas para a importação de minerais críticos, deve facilitar o processo. O pacto foi assinado e aprovado pelo Parlamento Europeu recentemente.
Durante um discurso sobre o acordo, Ursula von der Leyen destacou o interesse europeu pelos minerais brasileiros, ressaltando que a cooperação estratégica em lítio, níquel e terras raras é fundamental para as transições energética e digital.
A UE também lançou a iniciativa ReSourceEU, que quer reduzir em até 50% a dependência de minerais críticos até 2029, com investimento de 3 bilhões de euros ainda este ano. Um acordo com o Brasil é visto como ferramenta chave para alcançar essa meta.
