A União Europeia está próxima de finalizar um acordo comercial com os países do Mercosul, segundo comunicado da Comissão Europeia nesta segunda-feira (5).
Paula Pinho, porta-voz da Comissão Europeia, afirmou que apesar da data de 12 de janeiro não estar confirmada, o bloco está avançando e espera assinar o pacto em breve.
Após 25 anos de negociações, o entendimento criaria a maior área de livre comércio do planeta, fortalecendo o comércio entre os 27 países europeus e os membros do Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Entretanto, dúvidas da Itália e França causaram um adiamento inicial da assinatura, pois esses países manifestaram preocupações com a proteção da agricultura local.
O acordo promete aumentar as exportações europeias de veículos, máquinas e bebidas para a América do Sul, enquanto facilitaria o acesso de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos ao mercado europeu.
Isso preocupa vários produtores europeus, que temem a concorrência com produtos mais baratos vindos do Mercosul.
Itália e França pedem regras mais rígidas para salvaguardar seus agricultores, incluindo controle das importações e normas severas para os produtores do Mercosul.
Antes da assinatura, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, precisa obter a aprovação da maioria dos Estados-membros, o que deve acontecer em reunião prevista para sexta-feira.
Os ministros da Agricultura da União Europeia também discutirão o acordo em reunião nesta quarta-feira, juntamente com a Política Agrícola Comum.
Apesar do atraso, von der Leyen mantém confiança na aprovação do acordo.
– Uso de pesticidas proibidos –
Espanha e Alemanha apoiam o tratado para fortalecer suas indústrias contra concorrência de outros mercados.
A Itália, embora tenha pedido adiamento, tem sinalizado que assinará o acordo, conforme declarou a primeira-ministra Giorgia Meloni.
Sem o apoio da Itália, outros países como Hungria, Polônia e França não conseguem impedir a aprovação do pacto.
Em Paris, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, conversa com sindicatos de agricultores para tentar reduzir as tensões geradas pelas preocupações do setor.
O setor agrícola francês está enfrentando crises importantes, como doenças nos bovinos, preços baixos para os cereais e aumento nos custos de fertilizantes, além da concorrência com os produtos do Mercosul.
O governo francês planeja suspender a importação de frutas e legumes com resíduos de pesticidas proibidos na Europa, medida que precisa ser autorizada pela Comissão Europeia rapidamente.
A Comissão Europeia também trabalha para garantir que pesticidas perigosos e proibidos no bloco não sejam reintroduzidos em produtos importados.
Essa iniciativa reforça o compromisso da UE com a saúde e o meio ambiente.
