No dia em que assumiu o cargo novamente como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump iniciou uma série de medidas que representam o maior retrocesso nos direitos das pessoas trans em meio século. A ordem executiva assinada em 20 de janeiro de 2025 estabeleceu oficialmente o reconhecimento apenas de dois sexos, masculino e feminino, definidos com base no nascimento, desfavorecendo identidades trans.
Seguindo esta linha, o novo governo bloqueou verbas e revogou políticas públicas essenciais para a saúde e educação das pessoas trans, incluindo a exclusão de pessoas trans do serviço militar.
Estudos indicam que este retrocesso não se limita à retirada de direitos, mas à sua institucionalização em níveis federal e estadual. Vinte e sete dos cinquenta estados dos EUA já implementaram leis que restringem atendimento médico, acesso a espaços e direitos para pessoas trans entre 2018 e 2024.
O retorno de Trump ao poder enraizou a coordenação dessas políticas restritivas e o governo federal deixou de proteger os direitos civis desse grupo, liderando a ampliação de regras discriminatórias.
A pressão contra os direitos das pessoas trans provocou uma crise importante, incluindo migração interna em busca de segurança e piora da saúde mental entre jovens trans. Estima-se que entre jovens em estados com leis restritivas, as tentativas de suicídio aumentaram até 72% após a aprovação das normas.
A Lambda Legal, organização que apoia legalmente a comunidade LGBT+, reporta um crescimento expressivo em pedidos de assistência relacionadas a direitos trans desde o início do segundo mandato de Trump.
Além da repercussão social e humanitária, as medidas trazem desafios administrativos ao governo, interferindo em dados e políticas públicas essenciais para a sociedade americana.
