A derrota nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms, complicou a agenda interna do presidente Donald Trump e aumentou a possibilidade de ele concentrar esforços na política externa.
Com o avanço dos democratas no Congresso, Trump deve enfrentar resistência para aprovar projetos e garantir financiamentos para seu governo. Essa situação pode levá-lo a buscar maior protagonismo em negociações internacionais e ações militares, áreas nas quais ele tem mais liberdade para agir.
Segundo o cientista político Gustavo Menon, essa mudança não necessariamente indica uma estratégia para fortalecer sua posição, mas sim uma tentativa de contornar a situação difícil interna. Ele destaca que, quando perde a maioria no Congresso, o presidente tende a priorizar áreas em que enfrenta menos obstáculos legislativos, ainda que o eleitorado tenha demonstrado insatisfação com a política externa.
A insatisfação dos eleitores com a economia e a guerra contra o Irã foram fatores que prejudicaram os republicanos. Pesquisas mostram que muitos eleitores apontaram esses temas como os principais desafios do país, favorecendo os democratas nas urnas.
Trump reconheceu a derrota e, surpreendentemente, elogiou os adversários, afirmando estar disposto a trabalhar com os democratas. Contudo, avisou que usará seu poder para vetar projetos de lei que não concordar.
O cenário promete mais conflitos entre o Executivo e o Legislativo, com negociações difíceis sobre orçamento, indicações para cargos e políticas migratórias.
Maior atuação na política externa
Apesar dos obstáculos no Congresso, o presidente possui instrumentos para agir com maior independência em assuntos internacionais, como ordens executivas, sanções econômicas, tarifas e decisões militares que não necessitam de autorização parlamentar imediata.
Gustavo Menon lembra que a ofensiva militar contra o Irã ocorreu sem aprovação do Congresso, embora haja limites legais para ações desse tipo sem autorização legislativa.
Segundo Menon, Trump pode buscar avanços diplomáticos e militares em quatro áreas: um acordo com o Irã para reduzir preços dos combustíveis e inflação; negociações relacionadas à guerra na Ucrânia; acordos comerciais especialmente com países asiáticos, incluindo a China; e demonstrações de força na América Latina, onde teria menor custo político interno.
No entanto, a derrota eleitoral enfraquece seu poder de negociação frente a líderes como Xi Jinping e Vladimir Putin, já que seu mandato tem prazo limitado e o Congresso pode reverter ações tomadas pelo presidente.
