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quarta-feira, 28/01/2026

Trump e Xi se encontram para tentar mudar guerra comercial

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Donald Trump chegou nesta quarta-feira (29/10) a Gyeongju, cidade do sul da Coreia do Sul, onde está acontecendo a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec). Essa viagem marca a terceira e última etapa da turnê do presidente americano na Ásia. Trump já teve uma reunião com o presidente sul-coreano Lee Jae Myung, mas a atenção está voltada para o encontro previsto para esta quinta-feira (30/10) com o presidente chinês Xi Jinping, que foi confirmado pela China nesta quarta-feira.

Donald Trump foi recebido pelo presidente Lee Jae Myung na histórica capital sul-coreana, onde ganhou como presente uma réplica de uma coroa de ouro usada por uma antiga dinastia que governou a Coreia entre 57 a.C. e 935 d.C. Ele também foi agraciado com a Ordem de Mugunghwa, a mais alta distinção da Coreia do Sul.

Na quinta-feira, Trump terá um encontro com Xi Jinping durante a cúpula da Apec. Esse será o primeiro encontro presencial entre os dois líderes desde que Trump voltou à presidência dos Estados Unidos. Até então, a China não havia confirmado oficialmente esse encontro, que foi anunciado pelo próprio Trump em meio a tensões comerciais entre os dois países.

Os dois líderes discutirão de forma detalhada temas estratégicos e de longo prazo nas relações sino-americanas, assim como assuntos de interesse mútuo, conforme afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, durante uma coletiva de imprensa.

“Estamos preparados para colaborar com os Estados Unidos para que essa reunião seja bem-sucedida e gere resultados positivos”, acrescentou o porta-voz chinês.

Trump disse nesta quarta que espera uma reunião excelente com seu colega chinês, acreditando que muitos desafios poderão ser resolvidos durante o encontro.

Expectativas para a reunião

De acordo com o governo chinês, espera-se que os dois países encontrem um meio-termo nas negociações. A chanceler Wang Yi usou essa expressão em conversa com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, na terça-feira (28). A China deseja evitar a implementação de um aumento de tarifas de até 100% sobre produtos chineses, que os Estados Unidos ameaçaram impor em resposta às restrições chinesas às exportações de terras raras.

Segundo comunicado chinês, o objetivo é criar condições favoráveis para o desenvolvimento das relações bilaterais. O Departamento de Estado americano confirmou as conversas e destacou que Rubio defende uma comunicação aberta e construtiva entre as duas maiores potências econômicas mundiais.

Questão de Taiwan em pauta

Embora Trump tenha manifestado que quer focar a discussão em questões comerciais, especialistas sugerem que Xi Jinping aproveitará a ocasião para tentar persuadir os Estados Unidos a reduzir o apoio a Taiwan.

A China deseja que Trump reafirme que Washington não apoia a independência da ilha, algo já declarado por administrações anteriores, mas que recentemente deixou de ser mencionado em documentos oficiais do Departamento de Estado americano.

Em Taipei, o chanceler Lin Chia-lung afirmou que as relações com os Estados Unidos continuam muito estáveis e não há receios de abandono, ressaltando a cooperação em segurança e comércio.

Por outro lado, Pequim reagiu de forma enérgica, qualificando as declarações do chanceler como vergonhosas e pedindo que Washington trate a questão com cautela e prudência.

Produtores americanos de soja esperam acordo

Produtores de soja nos Estados Unidos aguardam que a reunião entre Trump e Xi Jinping traga um alívio para a disputa comercial que tem causado crise no setor. A China, que durante anos foi o maior comprador da soja americana, praticamente interrompeu as importações após os Estados Unidos aplicarem novas tarifas sobre produtos chineses.

Esse embargo informal prejudicou muitos agricultores americanos, pois perderam mercado para escoar a produção. Enquanto isso, o Brasil se beneficiou diretamente: com a saída dos Estados Unidos do mercado chinês, os produtores brasileiros passaram a dominar o setor, respondendo hoje por mais de 70% da soja importada pela China, contra apenas 21% dos Estados Unidos, segundo dados do Banco Mundial.

Os agricultores americanos esperam que esse encontro em Gyeongju possa iniciar uma trégua comercial e reinserir os Estados Unidos na competição pelo maior mercado mundial de soja.

Terras raras entram na pauta de negociações

Terras raras são minerais essenciais para a fabricação de tecnologias avançadas, como celulares, carros elétricos, equipamentos médicos e sistemas militares.

A China controla cerca de 70% do processamento mundial desses minerais, o que lhe confere grande poder de influência durante a guerra comercial. Por isso, os Estados Unidos tentam diversificar seus fornecedores, firmando acordos com países como Austrália, Japão e Malásia para reduzir a dependência chinesa.

O Brasil tem um papel estratégico nesse cenário, pois possui as segundas maiores reservas de terras raras do mundo, apesar de estar em estágio inicial de exploração e refinamento. Isso torna o país um fornecedor importante para Washington, justamente num momento em que o governo americano mantém tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, como aço e etanol.

Assim, as terras raras podem se tornar uma nova moeda de troca nessa disputa comercial entre China e Estados Unidos, elevando a importância do Brasil nas negociações com essas nações.

Status atual das tarifas entre Estados Unidos e China

Desde fevereiro, os Estados Unidos aplicam uma tarifa de 20% sobre produtos químicos usados na fabricação de fentanil, sinalizando a possibilidade de reduzir essa taxa pela metade se a China adotar medidas mais rigorosas contra o tráfico da substância.

Novas medidas tarifárias podem entrar em vigor a partir de 1º de novembro, com a imposição de uma tarifa de 100% sobre exportações chinesas de terras raras, em retaliação às restrições chinesas à venda desses minerais estratégicos.

Além disso, Washington ameaça impor tarifas adicionais sobre produtos chineses caso o país continue adquirindo petróleo da Rússia e da Venezuela, tentando pressionar indiretamente Moscou e Caracas. A China tornou-se o principal comprador do petróleo russo desde o início das sanções ocidentais, motivadas pela guerra na Ucrânia e a crise política no regime de Nicolás Maduro.

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