Pela primeira vez no seu segundo mandato, Donald Trump defendeu o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL), atendendo a pedidos da oposição no Brasil, e também provocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL) e o bloco Brics.
Segundo Trump, Bolsonaro não tem culpa e é vítima de uma “caça às bruxas”. O líder dos EUA pediu que as autoridades brasileiras deixem Bolsonaro em paz.
“Estou observando de perto a caça às bruxas contra Jair Bolsonaro, sua família e milhares de apoiadores. O único julgamento que deveria ocorrer é o dos eleitores do Brasil por meio da eleição. Deixem Bolsonaro em paz!”, escreveu Trump em sua rede social Truth.
Ao contrário do que disse o presidente dos EUA, Jair Bolsonaro enfrenta uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado em 2022, após perder as eleições para Lula. Dos 34 denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), 31 foram tornados réus.
Ataque ao Brics
Na véspera da defesa de Bolsonaro, Trump criticou o Brics enquanto seus líderes se reuniam na cúpula anual no Rio de Janeiro. Ele monitorou a reunião atentamente, considerando que o bloco busca minar os interesses dos EUA, e ameaçou impor uma taxa de 10% a qualquer país alinhado às políticas antiamericanas do Brics.
Anteriormente, em 2025, Trump já havia ameaçado aplicar tarifas de 100% aos países do Brics que não atendessem aos interesses comerciais dos EUA. Os membros do bloco discutem uma moeda comum para substituir o dólar no comércio internacional.
Atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA
Eduardo Bolsonaro, afastado do mandato de deputado federal, tem atuado como articulador entre a oposição brasileira e políticos de direita dos EUA, buscando sanções contra o ministro Alexandre de Moraes do STF, que é relator do caso que investiga crimes do ex-presidente contra a democracia.
Em maio, o secretário dos EUA Marco Rubio mencionou a possibilidade de sanções contra o ministro do STF. Com as recentes declarações de Trump, Eduardo Bolsonaro afirmou que estas não serão as únicas novidades vindas dos EUA em breve.
Reações
Após a defesa de Bolsonaro e as ameaças contra o Brics, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu às declarações do líder norte-americano, sem citá-lo diretamente.
Lula afirmou que o Brasil não aceita interferência externa e criticou um presidente que ameaça outros por redes digitais.
“A defesa da democracia no Brasil é responsabilidade dos brasileiros. Somos um país soberano e não aceitamos interferência ou tutela de ninguém. Temos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei, principalmente aqueles que atacam a liberdade e o estado de direito.”, declarou Lula em coletiva durante a reunião dos Brics.
