FOLHAPRESS
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a decisão da Suprema Corte americana de cancelar suas tarifas é uma “desgraça”. Essa declaração foi feita em uma reunião com governadores na última sexta-feira (20), segundo o jornal The New York Times.
A Suprema Corte decidiu, por 6 votos contra 3, que o presidente não tem o direito de impor tarifas amplas sem a autorização clara do Congresso, com base em uma lei de 1977. O presidente da Suprema Corte, John Roberts, afirmou que o presidente deve ter uma autorização explícita do Congresso para esse poder.
Trump usou a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional para justificar as tarifas. Porém, Roberts explicou que essa lei permite ao presidente investigar e bloquear importações durante uma investigação, mas não menciona tarifas ou impostos.
Há algumas exceções, como tarifas baseadas em uma lei que protege a segurança nacional, afetando produtos como aço, alumínio e automóveis.
Essa decisão é um golpe importante para uma das políticas mais conhecidas do segundo mandato de Trump. Além do impacto político, os Estados Unidos podem ter que devolver mais de 175 bilhões de dólares arrecadados com essas tarifas, conforme cálculos de economistas.
O Brasil, que foi afetado por tarifas de até 50%, espera que essas cobranças extras acabem. A expectativa era que esse tema fosse discutido em uma reunião entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e Trump, prevista para março, mas ainda sem data definida.
Em fevereiro, o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, mostrou otimismo na relação com os Estados Unidos e afirmou que a ideia é eliminar essas tarifas, pois não há razão para mantê-las.
Parte dos produtos brasileiros ainda sofre uma sobretaxa de 40%, que Trump impôs no ano passado, embora tenha isentado muitos itens como peças de aviação e produtos agrícolas.
Os valores a serem devolvidos são maiores que os orçamentos combinados dos Departamentos de Transportes e Justiça dos EUA para 2025.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou que o governo deve recorrer da decisão, mas pode cobrir eventuais reembolsos.
Apesar das tarifas, a economia dos EUA não teve o crescimento esperado. O déficit comercial diminuiu pouco, o emprego em fábricas caiu e o custo de vida subiu, afetando até o tamanho das porções em restaurantes. A inflação fechou 2025 em 2,9%.
Em novembro, Trump prometeu pagar 2 mil dólares para cada americano devido às tarifas, mas essa medida ainda não foi aprovada.

