ANDRÉ FLEURY MORAES
FOLHAPRESS
Uma investigação coordenada pelo Ministério Público de São Paulo mira empresas que revendem celulares usados, incluindo a Trocafone, uma grande plataforma de vendas online com mais de dez anos no mercado.
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) indicou que a Trocafone estaria no centro da cadeia de venda desses aparelhos, funcionando como o principal elo financeiro de uma rede suspeita. Segundo a Promotoria, o modelo de negócio da empresa, que compra e revende aparelhos usados, poderia estar sendo usado para disfarçar a origem ilegal dos celulares furtados ou roubados.
A empresa se posicionou afirmando que repudia a venda de produtos ilegais e apoia o combate a essa prática, que prejudica o mercado de celulares recondicionados.
A Trocafone revelou que mantém procedimentos rigorosos para evitar que aparelhos com sinais de irregularidade entrem em sua operação, incluindo verificações de IMEIs bloqueados e colaboração com as autoridades.
Com mais de 242 mil seguidores no Instagram, a empresa destaca que já comercializou cerca de 2,7 milhões de celulares recondicionados, oferecendo uma alternativa mais acessível para os consumidores.
Um relatório da Fazenda de São Paulo identificou que cerca de 759,3 mil aparelhos negociados na plataforma não tinham registros de compra, sugerindo entrada de celulares de origem ilícita.
Entre 2018 e 2024, a empresa foi citada em 18 relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), apontando operações suspeitas que somam R$ 95,8 milhões, incluindo depósitos fracionados, comuns em esquemas de lavagem de dinheiro.
A Trocafone informou que está colaborando com as investigações e analisando a documentação relacionada.
Um gerente da empresa prestou depoimento em 2024, revelando que peças de celulares ilegais eram usadas no processo de recondicionamento desde 2014.
A operação Frankmobile, que resultou em diversas buscas e prisões em São Paulo e Goiás, teve autorização judicial para bloquear até R$ 95,8 milhões das empresas envolvidas e suspender suas atividades perante a Receita Federal.
Essa ação é fruto de cerca de dois anos de investigação pelo Gaeco.
