A segunda segunda-feira de fevereiro é o Dia Internacional da Epilepsia, um momento para esclarecer sobre essa condição que afeta o cérebro, causando crises convulsivas.
Maria Olívia Fernandes, neurologista do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), explica que a epilepsia faz o cérebro ter crises que não são causadas por febre, traumas ou infecções, e afeta a vida do paciente e da família em vários aspectos, como saúde, social e financeiro.
No HCB, crianças e adolescentes com epilepsia recebem atendimento em consultas, internações e às vezes cirurgia. O tratamento começa com medicamentos, mas em cerca de 30% dos casos, tanto em adultos quanto em crianças, os remédios não funcionam bem. Nesses casos, o hospital usa uma dieta especial chamada cetogênica, que muda a energia do cérebro, e cirurgias quando indicadas.
Um exemplo é o menino João Pedro Gonçalves, de 12 anos, que teve sua primeira crise aos 2 anos, mas só foi diagnosticado depois de quase três anos, após um grave acidente na cabeça. Após sete anos de tratamento e internações iniciais, ele conseguiu controlar melhor as crises. Seguindo as recomendações médicas, reduziu a frequência das crises, pratica exercícios, se alimenta bem, dorme regularmente e toma suas medicações sozinho.
O diagnóstico de epilepsia é feito quando a pessoa tem pelo menos duas crises convulsivas não causadas por outras condições em mais de 24 horas de intervalo. Renata Brasileiro, neurologista, comenta que as crises mais conhecidas, chamadas tônico-generalizadas, não são as mais comuns em crianças; elas geralmente têm crises focais, que podem ser paradas no comportamento, movimentos repetitivos em um braço ou perna, tremores em um membro ou desvio do rosto.
É importante buscar ajuda médica se a criança apresentar movimentos estranhos nos braços ou pernas, paradas frequentes ou convulsões típicas. Para confirmar o diagnóstico e acompanhar a doença, o HCB usa o histórico médico, exames como ressonância magnética e eletroencefalograma.
