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domingo, 15/02/2026

Trabalho parecido com escravidão afeta principalmente homens negros no Brasil

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Em Brasília

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), divulgou em 2025 um balanço sobre o combate ao trabalho semelhante à escravidão no Brasil, revelando graves desigualdades raciais e sociais. Dos trabalhadores resgatados, 86% são homens e 83% se declaram negros (pretos ou pardos), mostrando que a população negra está mais vulnerável a essas condições.

A maioria das vítimas tem entre 30 e 39 anos, com 65% vivendo na região Nordeste, principalmente no Maranhão. Em relação à escolaridade, 68% têm pouca educação, 24% terminaram o ensino médio e 8% são analfabetos, relacionando o problema à pobreza e à falta de acesso à educação.

Dercylete Loureiro, diretora do Departamento de Fiscalização do Trabalho, explicou que este perfil mostra vulnerabilidades históricas, com muitos sendo encontrados em trabalho doméstico sob condições próximas à escravidão por longos períodos, até desde a infância. O aumento nos números é resultado de fiscalizações mais rigorosas e abrangentes, atingindo áreas que antes não eram monitoradas, reforçando a importância de políticas para reinserir essas pessoas na sociedade e no mercado de trabalho.

Este é o primeiro ano em que 68% dos resgates aconteceram em áreas urbanas, superando as zonas rurais. A fiscalização detectou exploração também na construção civil, administração pública, indústria, mineração ilegal, agricultura e trabalho doméstico.

Shakti Borela, coordenadora-geral de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravidão e do Tráfico de Pessoas, ressaltou que esses números representam vidas que sofreram muito e são resultado do trabalho conjunto do Estado, incluindo Inspeção do Trabalho, Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF), além de organizações civis, o que ajuda na identificação das vítimas, punição dos exploradores e garantia dos direitos após o resgate.

Os dados foram apresentados em um evento que comemorou o Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho e o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. A cerimônia também homenageou auditores-fiscais mortos na Chacina de Unaí há 22 anos, reafirmando o compromisso com a dignidade humana e os direitos no trabalho, mesmo diante da persistência dessa grave violação.

*Informações do Ministério do Trabalho e Emprego

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