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sábado, 21/03/2026




Todo relacionamento deve ter respeito e igualdade, diz tenente-coronel antes da morte da esposa

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Alerta: o texto abaixo trata de assuntos delicados como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém nessa situação, ligue 180 e denuncie.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso suspeito de matar sua esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana, falava com ela sobre o relacionamento ideal, onde ele acredita que o homem deve ser o provedor e a mulher obediente e submissa.

Nas conversas, Geraldo Neto reclamava que a esposa não dava atenção suficiente e afirmava que sustentava a maior parte das despesas do casal. Gisele, por sua vez, sugeria interesse em terminar a relação, contrariando a narrativa do marido de que a separação partiu dele. Segundo ele, Gisele se suicidou após uma briga em que ele expressou o desejo de terminar.

A defesa do tenente-coronel diz que informações sobre sua vida pessoal estão sendo divulgadas fora de contexto, prejudicando sua honra e dignidade.

Essas mensagens foram usadas pelo Ministério Público em denúncia aceita pela Justiça de São Paulo, que decretou a prisão preventiva do policial.

Geraldo Neto foi preso após decisão da Justiça Militar e indiciado por feminicídio e fraude processual pela Polícia Civil.

A defesa está surpresa com as duas prisões pelo mesmo caso, tanto pela Justiça Militar quanto pela Justiça comum.

Os advogados afirmam que o réu colaborou com as investigações e forneceu seu endereço para cumprimento do mandado.

Para a promotoria, as mensagens mostram um relacionamento difícil e violento, e indicam que a vontade de se separar partiu de Gisele, não do tenente-coronel.

Em uma conversa dias antes da morte, Geraldo falou sobre suas despesas mensais e reclamou que ela não investia tempo ou carinho na relação. Gisele respondeu que para ela o dinheiro não era suficiente e que não trocaria sexo por moradia.

Geraldo expressou sua ideia de um relacionamento ideal como sendo um marido provedor e uma esposa submissa, o que foi enviado dois dias antes do crime.

O Ministério Público aponta que essas mensagens revelam comportamento machista, manipulador e agressivo, e evidenciam o risco de o acusado interferir na investigação.

Prisão do tenente-coronel

O Tribunal de Justiça Militar relata que, durante uma discussão em 18 de fevereiro no apartamento do casal no Brás, São Paulo, Geraldo teria imobilizado Gisele e disparado contra sua cabeça.

Há indícios de alteração na cena do crime para simular suicídio, mas a promotoria acredita que as provas indicam autoria do tenente-coronel.

Entre as evidências estão o laudo necroscópico, reprodução simulada dos fatos, e vestígios de sangue no suspeito, apesar de sua negação.

Geraldo teria permanecido no local por mais de 20 minutos após o disparo antes de chamar ajuda, e câmeras mostram que ele secou o cabelo para depois molhá-lo, tentando justificar a versão de estar tomando banho no momento.

Para o Ministério Público, isso indica adulteração da cena do crime e criação de uma história falsa.

A acusação também destaca o histórico de violência do policial contra ex-companheiras e colegas.

Estadão Conteúdo




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