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sábado, 30/08/2025

Terras raras podem ser vantagem do Brasil na guerra tarifária com os EUA

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Em Brasília

O governo federal está avaliando os recursos que podem ser usados para negociar com os Estados Unidos a reversão das tarifas impostas aos produtos brasileiros, que entrarão em vigor em 1° de agosto. Entre as principais estratégias estão os minerais críticos e estratégicos (MCEs), em especial as chamadas “terras raras” – um grupo de 17 elementos essenciais para as indústrias automotiva e energética.

Recentemente, o representante da embaixada dos EUA em Brasília, Gabriel Escobar, expressou interesse nesses minerais durante um encontro com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Dados do Ibram e Centrorochas indicam que as exportações brasileiras de rochas para os EUA somaram US$ 711 milhões em 2024, um crescimento de 17% em relação ao ano anterior, respondendo por 57% das exportações totais desse setor. O Espírito Santo é o principal polo, representando mais de 94% desse volume.

Desde o anúncio das tarifas em 9 de julho, cerca de 60% das exportações de rochas brasileiras para os EUA foram suspensas, podendo resultar em uma perda de até US$ 40 milhões até o final do mês.

Por que as terras raras são importantes?

Esses 17 elementos químicos são vitais para diversos produtos modernos, principalmente na fabricação de ímãs permanentes que mantêm suas propriedades magnéticas por longos períodos. Eles são essenciais para turbinas eólicas, veículos elétricos e equipamentos militares como aviões de caça e submarinos.

O preço desses minerais é elevado, com o quilo de neodímio e praseodímio custando cerca de 55 euros, enquanto o térbio pode alcançar até 850 euros por quilo. Para comparação, o minério de ferro é vendido a cerca de R$ 0,60 por quilo.

Embora não sejam exatamente raras, a extração economicamente viável das terras raras é um desafio. O Brasil é visto como um fornecedor importante desse tipo de recurso, juntamente com o nióbio, fundamentais para setores de alta tecnologia.

Posição do Brasil nas negociações

Valdir Silveira, diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil, afirma que nosso país pode usar esses minérios como moeda de troca nas negociações com os EUA. Ele ressalta que o Brasil é um parceiro confiável no cenário geopolítico, envolvido em temas globais como a transição energética e a segurança alimentar.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que minerais estratégicos, como lítio e nióbio, são patrimônio do povo brasileiro e precisam ser protegidos, afirmando com firmeza que o Brasil não permitirá a exploração indevida desses recursos.

Victor Taranto, advogado especialista em direito minerário, observa que os EUA buscam fontes alternativas para reduzir a dependência da China em minerais estratégicos, o que coloca o Brasil em uma posição vantajosa para barganhar. No entanto, ele aponta que as tarifas têm motivação política e que, apesar dos recursos minerais serem importantes, outras capacidades, como a agroindústria e parcerias em energia limpa, também podem ser exploradas.

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