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segunda-feira, 23/02/2026

Terminal da Cargill em Santarém permanece fechado devido a protestos indígenas

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Em Brasília

FOLHAPRESS

O terminal fluvial da Cargill em Santarém, no Pará, está parado nesta segunda-feira (23) porque grupos indígenas estão ocupando o local. A assessoria de imprensa da empresa informou sobre a situação.

Os manifestantes estão na entrada da empresa desde 22 de janeiro, demonstrando contra um projeto aprovado pelo presidente Lula (PT), que envolve a dragagem dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. Com o passar dos dias, o número de participantes aumentou e chegou a 1.200 pessoas, segundo os organizadores.

Na última sexta-feira (20), funcionários da Cargill precisaram deixar o terminal, o que gerou mais tensão entre a empresa e as comunidades locais. Esses protestos ocorrem por causa dos planos de dragagem, que têm o objetivo de facilitar o escoamento de produtos pelos rios da Amazônia.

No mesmo dia, indígenas e representantes de movimentos sociais também protestaram em frente ao escritório da Cargill na zona sul de São Paulo, mostrando apoio aos povos do Tapajós, no Pará.

Relatórios da Semas (Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade) do Pará, ICMBio e Ibama apontam impactos negativos da dragagem no Tapajós, como alteração da qualidade da água, assoreamento, prejuízo para a pesca, mudanças nas rotas usadas por comunidades ribeirinhas e indígenas, risco de insegurança alimentar e interferência nos ciclos reprodutivos da tartaruga-da-Amazônia, uma espécie importante na região.

No início de fevereiro (13), a Justiça Federal autorizou a desocupação forçada das vias de acesso ao terminal em Santarém, com prazo de 48 horas para a saída dos manifestantes. O Ministério Público Federal (MPF) recorreu e conseguiu suspender essa decisão, mas no domingo (15), o recurso foi anulado, voltando a valer a determinação da Justiça.

Na quinta-feira (19), a Justiça reforçou o prazo para desocupação, o que levou o MPF a recorrer novamente, alegando que essa medida ignora procedimentos de mediação e pode colocar os manifestantes em perigo.

Esse projeto de hidrovias já provocou protestos na COP30, conferência do clima das Nações Unidas em Belém, em novembro. As ministras Sônia Guajajara e Marina Silva, do Meio Ambiente, disseram que haveria consulta às comunidades afetadas, mas até agora isso não foi feito.

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