17.5 C
Brasília
segunda-feira, 23/03/2026




Tenente-coronel anda pela cena do crime após morte da esposa, mostram vídeos

Brasília
céu limpo
17.5 ° C
17.8 °
17.5 °
100 %
0.5kmh
0 %
seg
31 °
ter
23 °
qua
19 °
qui
19 °
sex
23 °

Em Brasília

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Novos vídeos de câmeras corporais da Polícia Militar mostram o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto andando livremente pelo apartamento e dizendo que a mulher “tirou a própria vida” logo após o falecimento da soldado Gisele Alves Santana, em São Paulo.

As filmagens, exibidas pelo Fantástico da TV Globo, registram a chegada das equipes no imóvel, localizado no Brás, e mostram o oficial dentro do local, sem nenhuma restrição, caminhando pelos cômodos enquanto a ocorrência ainda ocorria. Ele aparece entrando e saindo de ambientes, aproximando-se da área onde a vítima estava e conversando diretamente com os agentes.

A investigação sugere que o suspeito mexeu na cena do crime no dia 18 de fevereiro.

Durante o atendimento, o coronel afirma várias vezes que a esposa teria cometido suicídio após uma discussão e diz que tentou terminar o casamento. Em outro momento, demonstra preocupação com seu próprio estado e insiste que precisa se lavar.

Geraldo Neto também contou sua versão para os policiais militares. “Eu entrei no banheiro da frente. Só que, quando eu entrei, fazia um minuto, debaixo do chuveiro, ouvi um barulho forte. Achei que era ela batendo na porta. Achei estranho, abri o boxe. Olhei na sala, ela estava caída no chão com sangue. Ela deu um tiro na cabeça”, relatou.

As gravações também mostram o oficial questionando procedimentos e falando com policiais de patente inferior em tom de comando. Quando tentam impedi-lo de tomar banho, o tenente responde: “eu vou tomar banho, irmão”.

As conversas indicam que, se ele não fosse tenente-coronel da PM, provavelmente não teria permissão para se lavar. Havia preocupação de que provas importantes fossem perdidas, como vestígios de sangue e pólvora, que poderiam ser encontrados em exames.

Geraldo Neto foi preso na quarta-feira (18), suspeito de feminicídio, fraude processual e violência doméstica. Laudos da Polícia Técnico-Científica apontam que ele teria atirado na cabeça da esposa dentro do apartamento no Brás, centro de São Paulo.

O tenente-coronel alega que Gisele tirou a própria vida na sala do apartamento enquanto ele estava no banho. Sua defesa afirmou que a prisão determinada pela Justiça Militar foi ilegal e que informações pessoais foram divulgadas de forma descontextualizada, causando danos à honra e dignidade dele.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a hipótese de suicídio, inicialmente considerada, perdeu força conforme as investigações avançaram. Laudos indicaram que não havia vestígios de disparo nas mãos da vítima e sinais de possíveis agressões anteriores. Depoimentos também indicam um relacionamento com conflitos.

O Ministério Público está tratando o caso como feminicídio e analisa se houve tentativa de modificar a cena do crime.




Veja Também