*Alerta: este texto trata de temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você ou alguém que conhece está nessa situação, ligue 180 e denuncie.
A Polícia Civil de São Paulo examinou o celular da soldado Gisele Alves, que foi morta no dia 18 de fevereiro no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Neto.
Relatórios mostram que o aparelho foi desbloqueado poucos minutos depois de Gisele ter sido baleada na cabeça. Apenas Geraldo e Gisele estavam no local no momento.
Mensagens enviadas por Gisele a Geraldo na noite anterior foram apagadas. A investigação indica que o tenente-coronel tentou esconder provas que mostravam que Gisele também queria a separação, contrariando o que ele dizia.
Mensagens recuperadas pela polícia:
Gisele, 17/02, às 22h47: “Mas já que decidiu separar”
Gisele, 17/02, às 22h48: “Agora podemos conversar sobre como vou sair”
Gisele, 17/02, às 22h59: “Você confundiu carinho com autoridade, amor com obediência, provisão com submissão”
Gisele, 17/02, às 23h00: “Você se arrependeu do casamento, eu também, e tem o direito de pedir o divórcio. Não quero nada seu, eu mesma cuidarei de como sair, tenho minha dignidade.”
Gisele, 17/02, às 23h00: “Pode entrar com o pedido esta semana.”
Humilhação e controle
O relatório também relata que no dia 13 de fevereiro os pais de Gisele tentaram buscá-la, mas Geraldo pediu que ela ficasse. Gisele comentou sobre a atitude dele, dizendo não entender essa contradição, pois continuava sofrendo humilhações e maus-tratos.
Semanas antes, o tenente havia mandado mensagens criticando as roupas de Gisele. Ele reclamava que ela usava roupas coladas durante o trabalho, o que ele não aprovava.
Na última quinta-feira, dia 26, a Secretaria de Segurança Pública anunciou que a Corregedoria abriu processo para expulsar o tenente-coronel. Atualmente, ele está preso no Presídio Militar Romão Gomes, acusado de feminicídio e tentativa de esconder provas.
Se confirmado o afastamento, Geraldo Neto perderá o salário mensal de cerca de R$ 29 mil que recebia como tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo.
A Secretaria de Segurança Pública informou que ele está preso preventivamente por ordem judicial, e que o inquérito está em fase final. Após concluir, será avaliada a abertura de um Conselho de Justificação, que pode resultar na perda da patente e desligamento da polícia.
Este conselho é um processo administrativo independente da justiça comum e que pode tirar-lhe a posição na corporação.
A Polícia Militar reforça seu compromisso com a lei, disciplina e valores da atividade policial.
Detalhes do caso
Gisele morreu após ser baleada na cabeça na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Neto. Apenas eles dois estavam no local.
Geraldo disse à polícia que Gisele teria se suicidado após ele manifestar desejo de divórcio.
O caso foi inicialmente tratado como suicídio, mas mudou para morte suspeita após familiares relatarem que Gisele sofria violência e controle excessivo do marido.
A polícia concluiu que Gisele foi assassinada por Geraldo. Esta conclusão baseou-se em diversas evidências técnicas, incluindo marcas de unhas no pescoço e rosto, manchas de sangue dela no banheiro e em roupas do marido, além da posição do corpo e da arma sugerirem manipulação da cena.
Mensagens trocadas entre o casal mostram uma relação cheia de brigas e controle. A polícia entende que Gisele queria se separar, mas ele resistia a isso.
A corregedoria da Polícia Militar também investiga o caso. As Justiças Militar e Comum já decretaram a prisão de Geraldo Neto, que está detido desde 18 de março e aguarda julgamento.

