LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
Pelo menos três gerentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) solicitaram a saída de seus cargos depois que a pesquisadora Rebeca Palis foi retirada do cargo de coordenadora das contas nacionais.
Essa ação é vista por pessoas próximas ao caso como um ato de apoio a Rebeca. A decisão da direção do IBGE para exonerá-la foi tomada na última semana, em 19 de janeiro.
A troca surpreendeu muitos servidores e reacendeu tensões com a gestão do presidente Marcio Pochmann. O setor de contas nacionais é responsável pelo cálculo do PIB (Produto Interno Bruto), que avalia o desempenho da economia.
A próxima divulgação do PIB, referente ao quarto trimestre e ao resultado anual de 2025, está marcada para 3 de março. As recentes incertezas levantadas causam dúvidas sobre como será a apresentação dos dados.
O primeiro gerente a entregar o cargo após a saída de Rebeca foi Cristiano Martins, que atuava na gerência de bens e serviços e era substituto da coordenadora. Seu pedido de desligamento ocorreu na semana passada.
Nesta segunda-feira (26), Claudia Dionísio, gerente das contas nacionais trimestrais, e Amanda Tavares, gerente substituta da área, também deixaram suas funções.
A reportagem não conseguiu contato com os técnicos para comentários.
A presidência do IBGE reforçou, em resposta, um comunicado divulgado anteriormente, informando que está em andamento um plano de transição na coordenação das contas nacionais, de maneira colaborativa, garantindo que todas as atividades e divulgações previstas para o ano serão mantidas.
O instituto confirmou que Ricardo Montes de Moraes assumirá o lugar de Rebeca Palis.
A crise no IBGE teve início no segundo semestre de 2024, quando o sindicato dos servidores, Assibge, e a equipe técnica começaram a questionar decisões da gestão de Pochmann.
Em uma carta que ganhou repercussão, pesquisadores afirmaram que o IBGE estava sendo conduzido com um viés autoritário, político e midiático. Rebeca foi uma das signatárias desse manifesto.
Sem mencionar diretamente a mudança na coordenação das contas nacionais, Pochmann negou as acusações de autoritarismo e disse que sua gestão precisa tomar decisões firmes.
No mesmo dia, o sindicato definiu a saída de Rebeca como “abrupta”. A Assibge ressaltou que a decisão ocorreu justamente durante projetos importantes, nos quais a pesquisadora tinha um papel operacional fundamental.
O IBGE trabalha na revisão das contas nacionais, buscando refletir mudanças econômicas relacionadas a transformações digitais e ao uso sustentável do meio ambiente.
