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domingo, 29/03/2026

Teatro de contêiner é demolido no centro de São Paulo após conflito com a prefeitura

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Em Brasília

FERNANDA DE SOUZA
FOLHAPRESS

A prefeitura de São Paulo derrubou no final de semana o teatro que funcionava em contêineres após um desentendimento com a companhia Mugunzá, que cuidava do local. O terreno fica na rua dos Gusmões, no centro de São Paulo, e o grupo ocupava o espaço desde 2016, recebendo uma ordem de despejo em agosto de 2025.

A desmontagem do teatro foi anunciada pela companhia nas redes sociais. No comunicado, eles disseram que a gestão do prefeito Ricardo Nunes ignorou os pedidos da população e acusaram o governo de acabar com um dos teatros mais importantes do Brasil.

O local havia sido fechado pelo município em 15 de janeiro, não permitindo que a equipe acessasse os equipamentos. Em vídeo divulgado nas redes do teatro, o ator e produtor Marcos Felipe comentou que a companhia foi pega de surpresa ao não poder mais entrar no espaço.

A Mugunzá também afirmou que a demolição foi feita sem aviso prévio, sem alvará e sem identificar o responsável técnico. Eles disseram que ainda há uma disputa judicial em andamento.

Segundo a prefeitura, a desocupação foi feita sem problemas. Depois, as vistorias apontaram problemas na estrutura, incluindo ligações ilegais de energia e água, detectadas pela Enel e Sabesp durante inspeções, conforme boletim de ocorrência no 3º Distrito Policial em Campos Elíseos.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes explicou que a 5ª Vara da Fazenda Pública determinou o fim do prazo para o grupo permanecer no local. Sem acordo, cumpriram a decisão judicial para retomar o espaço público.

“A atual administração conversou por cerca de um ano com o grupo, repassou R$ 2,5 milhões para as atividades da companhia e ofereceu quatro opções de terrenos para transferência, mas os representantes criaram dificuldades perto do prazo final estipulado pela Justiça”, informou a prefeitura. “A área foi reintegrada e será usada para construir um empreendimento habitacional e área de lazer.”

A defesa do teatro disse ter fornecido esclarecimentos às autoridades e está disposta a colaborar nas investigações. O advogado Fernando de Oliveira Zonta acredita que o Judiciário avaliará o caso corretamente e reconhecerá que não há responsabilidade sobre as ligações irregulares.

O grupo afirmou que a prefeitura ofereceu outros locais para realocação, como as ruas Conselheiro Furtado, Helvétia e João Passaláqua, todas no centro da cidade. Eles aceitaram a proposta para a rua Helvétia, no bairro Santa Cecília, e tentaram contato por três meses sem resposta.

A demolição começou no sábado, quando equipes da prefeitura e governo estadual iniciaram a retirada do telhado. No domingo, o desmonte foi finalizado, e os materiais foram levados para um terreno municipal na avenida do Estado.

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