LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
As indústrias brasileiras de móveis e madeira estão começando a sentir os efeitos das altas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou a medida na semana passada.
Empresários afirmam que as exportações desses produtos para os EUA já foram interrompidas, devido às incertezas sobre as novas taxas.
Trump planeja aumentar a cobrança sobre produtos brasileiros em 50% a partir do início de agosto, o que pode impedir completamente as exportações de diversos itens do Brasil para o mercado americano nos próximos meses.
Além dos móveis e madeira, setores como carne bovina, manga e pescados também já relataram suspensões nas exportações.
Euclides Longhi, presidente da Movergs (Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul), disse que o momento é muito difícil não só para quem trabalha com móveis. Ele é sócio-diretor da Multimóveis, em Bento Gonçalves, e relatou que suas exportações para Porto Rico, território americano, foram paralisadas.
Ele contou que, inicialmente, os clientes ligaram solicitando a suspensão dos pedidos. Outros colegas que vendem bastante para os EUA estão preocupados, pois não sabem o que vai acontecer.
O Rio Grande do Sul é um grande produtor de móveis no Brasil e cerca de 16% das suas exportações são destinadas ao mercado americano, que é o principal comprador.
Cleberton Ferri, diretor internacional do Sindmóveis (Sindicato das Indústrias do Mobiliário) de Bento Gonçalves, afirmou que os importadores estão segurando os embarques para analisar se a tarifa será aplicada, pois ainda não há certeza total.
Na região, que conta com cerca de 300 empresas, aproximadamente 10% da produção é para exportação. No primeiro semestre, os EUA representaram 17% dos embarques.
Ferri comentou que se a sobretaxa de 50% for aplicada em agosto, as exportações para os EUA vão parar totalmente. Ele também ressaltou que substitutos imediatos para o mercado americano são difíceis de encontrar, já que nenhum outro país tem o mesmo tamanho de consumo, como os Estados Unidos.
Empresários pedem que o prazo para a entrada da sobretaxa seja estendido e defendem negociações diplomáticas para tentar impedir a cobrança.
Em nota, a Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) declarou que o fluxo das exportações já está sendo afetado, principalmente em estados das regiões Sul e Sudeste.
A associação manifestou preocupação profunda com a decisão dos EUA. Segundo a entidade, os EUA são tradicionalmente o maior destino das exportações brasileiras de móveis e colchões, representando 27,6% do total exportado em 2024, o que mostra sua importância estratégica para a indústria nacional.
Empresas preveem paralisações no Rio Grande do Sul
O setor madeireiro também já sente os efeitos da medida de Trump. Segundo Leonardo De Zorzi, presidente do Sindimadeira-RS, empresas estão planejando paralisar a produção por alguns dias ou até dar férias coletivas.
De Zorzi destacou que os EUA são o principal mercado para a madeira brasileira, absorvendo 34% dos pinus serrados e 32% das chapas de compensado do Brasil.
Ele explicou que essas madeiras são usadas em construções residenciais, cercas, pallets e embalagens nos EUA.
Uma tarifa extra de 50% tornaria inviáveis essas exportações, e encontrar mercados substitutos rapidamente não seria possível, pois cada mercado tem suas características e modo de operação.