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Mundo

Tarifa de 30% da União Europeia quase bloqueia comércio com os EUA

Thierry Monasse/Getty Images

Segundo Maros Sefcovic, chefe de Comércio da União Europeia e principal negociador do bloco com os Estados Unidos, a ameaça de Donald Trump de aplicar uma tarifa de 30% sobre produtos europeus praticamente impossibilitaria as trocas comerciais entre os dois lados.

Ao participar de reuniões com ministros europeus em Bruxelas, Sefcovic afirmou que uma tarifa de 30% ou mais geraria um impacto significativo, tornando quase inviável a continuidade do comércio transatlântico atual, que movimenta €4,4 bilhões (cerca de £3,8 bilhões) diariamente.

Ele explicou que a equipe de negociação da UE acreditava estar próxima de um acordo. “Tínhamos a sensação de estarmos muito perto de uma solução”, declarou, expressando lamentação.

Taxação e reações na Europa

No sábado (12/7), o presidente dos EUA anunciou que as importações da União Europeia seriam alvo de uma tarifa de 30% a partir de 1º de agosto, o que comprometeu o otimismo europeu de baixar essa taxa para 10%, percentual ainda considerado alto.

Em resposta, a UE decidiu adiar a aplicação de tarifas retaliatórias sobre €21 bilhões em produtos americanos, que estavam previstas para começar à meia-noite de segunda-feira, postergando para 1º de agosto.

Além disso, os ministros europeus debaterão um novo pacote de contramedidas, que incidiria sobre €72 bilhões em importações dos EUA.

Lars Løkke Rasmussen, ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, que liderará as conversas, destacou que a Europa não deseja uma guerra comercial com os Estados Unidos, pois isso teria consequências desastrosas para ambos os lados. “Queremos evitar o agravamento, mas também precisamos manifestar nossa firmeza”, afirmou.

A França solicitou aceleração nos preparativos para retaliações e sugeriu que a UE esteja pronta para utilizar uma lei ainda não aplicada, que permite impor sanções a países que usam o comércio como instrumento de pressão.

Enquanto isso, a Alemanha defendeu uma resposta pragmática e a Itália alertou contra conflitos comerciais. Países da Europa Central e Oriental demonstram preocupação com possíveis consequências na área militar, temendo uma redução do apoio dos EUA na região.

Keṣtutis Budrys, ministro das Relações Exteriores da Lituânia, ressaltou a importância de evitar a escalada do conflito, mencionando desafios econômicos globais e temas que precisam ser resolvidos em cooperação com os EUA, como o combate ao tráfico de fentanil.

Donald Trump acusou o Canadá e o México de não agirem com eficácia no combate ao fluxo de opioides para os EUA, embora não esteja claro se essa questão foi decisiva nas negociações comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos.

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