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sexta-feira, 29/08/2025

Tarcísio oscila sobre tarifa de Trump; entenda em 8 pontos

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JOÃO PEDRO ABDO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Depois do aumento das tarifas anunciado na quarta-feira (9) por Donald Trump, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mudou sua opinião sobre as críticas do presidente americano ao processo que envolve a trama golpista.

Tarcísio teve atitudes diferentes: em alguns momentos apoiou Trump, em outros criticou o governo Lula (PT) e enviou recados ao Judiciário. Por causa das reações negativas sobre os efeitos do aumento das tarifas para produtos brasileiros, com validade a partir de 1º de agosto, ele recuou.

Na quinta-feira (10), o governador cancelou sua agenda em São Paulo e viajou para Brasília. Lá, conversou com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre como agir em relação às tarifas.

Tarcísio também é admirador de Trump e já apareceu usando o boné da campanha do presidente americano.

Veja abaixo as mudanças na reação de Tarcísio às ações de Trump:

APOIO A TRUMP E RECADO AO STF

O governador compartilhou nas redes sociais a carta de Donald Trump em apoio a Bolsonaro, divulgada em 7 de julho. Na carta, Trump chamou o processo contra o ex-presidente de “caça às bruxas”. Tarcísio apoiou a crítica e disse que Bolsonaro deve ser julgado apenas pelo povo brasileiro nas eleições, citando o STF.

CRÍTICAS AO GOVERNO LULA

Depois do anúncio das tarifas, em 9 de julho, Tarcísio criticou diretamente o governo Lula. Nas redes sociais, ele culpou o presidente atual e isentou Bolsonaro pela subida das tarifas.

Segundo ele, “Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse é o resultado. Tiveram tempo para apoiar ditaduras, defender a censura e atacar o maior investidor direto no Brasil. Outros países foram buscar acordo. Não adianta culpar Bolsonaro. A responsabilidade é de quem governa. Narrativas não resolvem o problema”.

EFEITO DAS TARIFAS

No dia seguinte ao anúncio, Tarcísio mudou o discurso e reconheceu o impacto negativo para o estado de São Paulo. Ele disse que é hora de agir com diplomacia e evitou falar sobre Bolsonaro, ressaltando um distanciamento entre os governos Lula e Trump.

“O aumento das tarifas é ruim, principalmente para estados com produção industrial avançada. Precisamos deixar a política de lado e sentar para negociar”, afirmou Tarcísio em 10 de julho.

No primeiro semestre de 2025, as exportações de São Paulo aos EUA totalizaram R$ 6,39 bilhões.

VISITA A BRASÍLIA E REUNIÃO COM BOLSONARO

Após falar com a imprensa pela manhã do dia 10, Tarcísio cancelou suas atividades e viajou a Brasília para encontrar Bolsonaro. A equipe do Palácio dos Bandeirantes não confirmou se a aeronave usada era do governo paulista.

No encontro, Tarcísio comunicou ao ex-presidente que pretende focar na economia de São Paulo e deixar a defesa da anistia em segundo plano para tentar reverter as tarifas. Conforme apurado, Bolsonaro ouviu em silêncio sem contestar.

Segundo pessoas próximas, Bolsonaro saiu chateado da reunião.

CONTATO COM O STF

Tarcísio ligou para ministros do Supremo para tentar autorização para que Bolsonaro fosse aos EUA negociar com Trump. O pedido foi visto como surpreendente, pois o ex-presidente tem o passaporte apreendido e não pode sair do país.

A crise das tarifas colocou Tarcísio em conflito: ele quer mostrar apoio a Bolsonaro, mas também manter uma imagem moderada para ministros e empresários. Um aliado comentou que, para ganhar eleitores bolsonaristas, Tarcísio precisará ser mais crítico ao STF.

REUNIÃO COM CHEFE DA EMBAIXADA DOS EUA

Na sexta (11), ainda em Brasília, Tarcísio se encontrou com o chefe da embaixada americana, Gabriel Escobar. A missão dos EUA no Brasil, sem embaixador desde o começo do governo Trump, destacou que São Paulo tem o maior investimento americano no país.

O encontro levantou especulações de que Tarcísio pode se apresentar como um negociador possível frente aos EUA.

RECUO NA DEFESA DA ANISTIA

Como avisou a Bolsonaro, Tarcísio suavizou o discurso sobre a anistia como solução para as tarifas aumentadas, que chamou de “algo complicado”. No sábado (12), afirmou que a anistia depende do ponto de vista. Também negou estar envolvido em petições ao Supremo para transformar Bolsonaro em negociador: “Assinei alguma petição? Não. Isso é bobagem”.

IMPACTO NA POSSÍVEL CANDIDATURA

Embora Tarcísio diga que quer se reeleger em São Paulo, ele é visto como um possível candidato à presidência em 2026. A crise das tarifas, no entanto, pode dificultar esse caminho.

O governo Lula tenta associar os impactos do aumento das tarifas a Tarcísio e à oposição. “Não vai tentar esconder o chapéu de Trump, não, Tarcísio. Pode mostrar para a gente quem você é também”, disse Lula em entrevista.

Aliados de Tarcísio consideram que seu erro foi a reação inicial ao aumento das tarifas. Empresários que apoiavam sua candidatura como representante da direita moderada começaram a questionar sua independência do bolsonarismo.

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