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Economia

Tarcísio conversa com representante dos EUA sobre tarifas de Trump

Foto: Mauro Pimentel/AFP

Ricardo Della Coletta
Folhapress

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), teve um encontro nesta sexta-feira (11) com o chefe da embaixada dos EUA em Brasília, Gabriel Escobar.

A reunião aconteceu no escritório do Governo de São Paulo em Brasília, poucos dias depois de Donald Trump anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e mostrar apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O governo Lula (PT) tem ligado os impactos econômicos dessas tarifas à oposição, incluindo Tarcísio, que é aliado de Bolsonaro.

Tarcísio publicou em uma rede social: “Acabei de me reunir com Gabriel Escobar, Encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, em Brasília. Falamos sobre os efeitos das tarifas na indústria e no agronegócio brasileiro e também sobre como isso afeta as empresas americanas”.

Ele continuou: “Vamos dialogar com as empresas de São Paulo, baseados em dados e bons argumentos, para buscar soluções reais. Precisamos negociar, pois narrativas não resolverão o problema. A responsabilidade é de quem governa”.

Escobar é o encarregado de negócios da missão dos EUA no Brasil, pois o país está sem embaixador desde o começo do governo Trump.

Na quarta-feira (9), dia em que Trump divulgou nas redes sociais a carta anunciando as tarifas e reclamando de perseguição política contra Bolsonaro, Escobar foi chamado duas vezes ao Itamaraty para dar explicações.

Na diplomacia, isso é uma forma do país anfitrião, no caso o Brasil, mostrar insatisfação com como está sendo conduzida a relação entre os países. Na segunda reunião, representantes do Itamaraty devolveram simbolicamente a Escobar a carta que Trump enviou ao presidente Lula.

Fontes próximas ao governador dizem que Tarcísio pode tentar ser um negociador direto com Trump.

O aumento das tarifas contra o Brasil, imposto por Trump, criou uma situação delicada para Tarcísio, que tenta se equilibrar entre apoiar Bolsonaro e respeitar a Justiça e a democracia.

Alguns líderes de partidos e deputados que apoiam Tarcísio acreditam que sua imagem pode ser prejudicada entre os bolsonaristas se ele não apoiar Trump nem apresentar as tarifas como perseguição política ao ex-presidente.

Por outro lado, se ele apoiar as barreiras comerciais dos EUA, pode perder apoio do mercado financeiro, do setor agrícola e de eleitores que não são bolsonaristas.

Bolsonaristas de São Paulo esperavam que os EUA aplicassem sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, e não contra o Brasil inteiro.

As primeiras respostas de Tarcísio seguiram essa linha, mas ele teve que moderar seu discurso durante a semana por causa da impopularidade das tarifas.

No dia 7, quando Trump publicou uma mensagem em apoio a Bolsonaro, Tarcísio rapidamente compartilhou a mensagem, interpretando como uma vitória do bolsonarismo e criticando indiretamente a autoridade do STF no julgamento contra o aliado.

Ele disse: “Jair Bolsonaro deve ser julgado apenas pelo povo brasileiro nas eleições. Força, presidente”, criticando também decisões do TSE que condenaram Bolsonaro até 2030 por uso indevido da máquina eleitoral e ataques à Justiça Eleitoral.

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