MÁRCIA MAGALHÃES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) acumula uma defasagem de 157,22% em 2025, de acordo com um levantamento do Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal), que utilizou o índice oficial de inflação IPCA para o cálculo.
Isso quer dizer que milhões de brasileiros estão pagando mais imposto a cada ano, mesmo sem aumento nas alíquotas ou ganhos reais de renda, devido à falta de atualização da tabela.
Embora tenha sido sancionada uma lei que isenta quem ganha até R$ 5.000 por mês e reduz gradualmente o imposto até R$ 7.350 mensais, essas medidas ainda não compensam a perda do poder de compra causada pela inflação ao longo dos anos.
“O desconto que garantiu a isenção do IR para quem recebe até R$ 5.000 foi um avanço importante para a justiça tributária, especialmente por estabelecer uma alíquota mínima efetiva de 10% para os contribuintes com rendas acima de R$ 1,2 milhão ao ano. No entanto, ainda existe uma diferença de R$ 1.694,37 entre a tabela corrigida pela inflação e a isenção oferecida”, explica Dão Real, presidente do Sindifisco Nacional.
Segundo o estudo do sindicato, se a tabela tivesse sido ajustada pela inflação acumulada desde 1996, ano em que os reajustes automáticos foram suspensos, estariam isentos os brasileiros que recebem até R$ 6.694,37 por mês. Nesse caso, apenas salários acima de R$ 12.374,74 estariam sujeitos à alíquota máxima de 27,5%, que hoje começa a valer a partir de R$ 7.350.
O Sindifisco alerta que, ao não corrigir todas as faixas da tabela, a nova lei manteve um sistema regressivo do IRPF, onde quem ganha menos acaba pagando proporcionalmente mais.
Além disso, a manutenção das faixas não corrigidas gera o chamado “efeito arrasto”, quando aumentos salariais feitos só para repor a inflação empurram o contribuinte para faixas maiores e, consequentemente, para o pagamento de mais imposto, sem ganho real de renda. Isso eleva a carga tributária de forma indireta, pesando mais sobre os trabalhadores de renda média e baixa.
Simulações feitas pelo sindicato mostram o impacto da defasagem: um trabalhador que ganha R$ 6.500 por mês paga hoje R$ 535,04 a mais do que deveria, se a tabela estivesse corrigida integralmente. Quem recebe R$ 10 mil paga R$ 1.186,87 a mais, um aumento de 371,80% em relação ao valor justo. Já para quem ganha acima de R$ 100 mil, o impacto é menor, de 7,86%.
O Sindifisco defende que ajustar a tabela do IR pela inflação oficial não é abrir mão de receita, mas sim cumprir a obrigação do Estado de proteger o valor real do salário do trabalhador, respeitando os princípios constitucionais da capacidade de pagamento e progressividade tributária.
Além disso, o sindicato sugere outras mudanças estruturais, como aumentar o número de faixas de renda, elevar a alíquota efetiva para os mais ricos e tributar lucros e dividendos de forma adequada, para corrigir distorções históricas do sistema tributário do Brasil.
Isenção e redução do IR para 2026
Rendimentos tributáveis – Redução do imposto
Até R$ 5.000 – redução máxima de R$ 312,89, zerando o imposto devido
De R$ 5.000,01 até R$ 7.350 – redução decrescente até perder o benefício a partir de R$ 7.350
Tabela do IR válida a partir de 1º de janeiro de 2026
Base de cálculo – Alíquota – Dedução
Até R$ 2.428,80 – isento
De R$ 2.428,81 a R$ 2.826,65 – 7,5% – R$ 182,16
De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05 – 15% – R$ 394,16
De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 – 22,5% – R$ 675,49
Acima de R$ 4.664,68 – 27,5% – R$ 908,73
