A morte de Weslley Gabriel dos Santos Batista, 23 anos, durante uma abordagem da Polícia Militar pode estar relacionada com a queima de dois ônibus na zona sul de São Paulo, na região do bairro Americanópolis.
Segundo informações preliminares da Polícia Civil, policiais da Força Tática do 22° Batalhão passavam pela rua Carlos Facchina quando viram um carro Chevrolet Tracker cujo motorista subiu os vidros rapidamente de forma suspeita. O veículo parou e o motorista fugiu a pé para um córrego, sendo perseguido pelos PMs. Ao ser encontrado, sacou uma arma e foi baleado oito vezes. Weslley foi levado ao Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya, mas não resistiu aos ferimentos.
Os policiais disseram que encontraram um revólver calibre 22 com Weslley. Ele tinha investigações por receptação, estelionato e associação criminosa, além de dois mandados de prisão em aberto, mas não tinha passagem pelo sistema prisional.
O incidente é apurado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Polícia Militar, que usavam câmeras corporais durante a ação.
No dia seguinte, foram queimados dois ônibus na avenida Yervant Kissajikian, além de vandalismo contra outros coletivos na mesma região. Dois homens foram presos com galões de gasolina e um isqueiro na área durante patrulhamento.
Na noite anterior, outro ônibus da linha 7016/10, que faz o trajeto Jardim Ângela – Terminal Santo Amaro, foi atacado e incendiado por um grupo na avenida Guarapiranga. O motorista foi obrigado a sair do ônibus antes do fogo ser ateado. O coletivo avançou cerca de cem metros e atingiu um salão de beleza e um quadro de luz, deixando vários comércios sem energia.
Dados oficiais mostram que a letalidade policial em São Paulo aumentou nos últimos anos, com 834 mortes em 2025, o maior número registrado em 25 anos. Só no último trimestre do ano passado, 242 pessoas foram mortas por policiais militares, um recorde desde 1996.
A Secretaria de Segurança Pública ressaltou que todas as ocorrências que resultam em mortes por intervenção policial são investigadas pelas Polícias Civil e Militar, com supervisão das corregedorias, Ministério Público e Poder Judiciário. Desde 2023, mais de 1.200 agentes foram afastados ou punidos por má conduta, demonstrando esforços para controle e responsabilização na corporação.

