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Saúde

SUS Transporta Sangue Raro por Avião para Paciente em Minas Gerais

Paulo Cavalcanti/HEMOCE

O SUS (Sistema Único de Saúde) fez o segundo transporte de sangue raro na cabine de um avião comercial no Brasil. A bolsa de sangue foi coletada no Ceará e levada para Juiz de Fora, em Minas Gerais, para um paciente em estado grave que passou por um transplante renal e precisava de transfusão.

Essa operação foi possível graças a uma parceria entre o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e empresas aéreas. Essa ação agiliza o transporte do sangue raro, mesmo durante a noite, fins de semana e feriados, diferente do envio antigo que usava carga com prazos mais longos.

Ao identificar um anticorpo difícil de encontrar no paciente, a rede de hemoterapia acionou o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), do Ministério da Saúde, e localizou um doador no Ceará. O sangue foi coletado no mesmo dia e transportado em embalagem especial, com controle de temperatura rigoroso, gratuitamente na cabine do avião.

O Cadastro Nacional de Sangue Raro, criado em 2013, já reúne mais de 2.000 doadores e ajudou mais de 300 pacientes. O primeiro transporte semelhante ocorreu em setembro, de São Paulo ao Piauí, para um paciente com doença renal crônica que precisava urgentemente de transfusão.

Por Que Alguns Tipos de Sangue São Raros?

Além dos sistemas sanguíneos ABO e Rh, o sangue possui outros antígenos que tornam a compatibilidade mais complexa. Um tipo de sangue é raro quando aparece em menos de uma em mil pessoas, mas isso pode variar conforme a população.

Giuliana Lugarini, médica neurologista e hematologista, explica que tipos sanguíneos raros podem ser comuns em um grupo e raros em outro. Por exemplo, o Rh negativo é raro entre chineses e tailandeses, porém comum em europeus e americanos.

Quanto mais específica for a combinação de antígenos necessária, mais difícil é achar um doador compatível, o que pode exigir buscas em vários hemocentros e estados.

Como o Sangue é Transportado sem Perder a Qualidade?

O transporte não prejudica a qualidade do sangue desde que a temperatura correta seja mantida durante todo o trajeto. A faixa ideal é de 1°C a 6°C para armazenamento e pode variar até 10°C no transporte, sempre monitorada para garantir a conservação.

Caixas térmicas especiais e controle rigoroso da temperatura evitam que o sangue se deteriore. Isso impede a hemólise, que é a destruição das células sanguíneas. Nesse contexto, usar aviões comerciais agiliza a entrega sem riscos.

Esta parceria é aproveitada também no transporte de órgãos para transplantes. Em 2025, a Central Nacional de Transplantes realizou mais de 2.000 transportes de órgãos, muitos em voos comerciais.

Outra forma de ampliar o uso do sangue raro é o congelamento das bolsas compatíveis, usando glicerol para proteger as células durante o congelamento a temperaturas abaixo de -65°C, permitindo conservar os estoques por até dez anos.

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