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quarta-feira, 28/01/2026

SUS ganha 760 enfermeiros obstétricos com projeto Rede Alyne

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O Ministério da Saúde está fortalecendo o Sistema Único de Saúde (SUS) ao formar 760 enfermeiros especializados em Enfermagem Obstétrica pelo programa Rede Alyne. O curso, iniciado em novembro de 2025, é voltado para profissionais com experiência de pelo menos um ano na assistência à saúde das mulheres no SUS e conta com investimento de R$ 17 milhões.

O objetivo é melhorar os cuidados obstétricos e neonatais no SUS, diante da falta de especialistas no país. Dados do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) mostram que o Brasil tem só 13 mil enfermeiros obstétricos registrados, e quase metade deles atua em unidades de saúde cadastradas no CNES. A proporção é de cinco profissionais para cada mil nascidos vivos, enquanto em países que adoptam modelos focados na enfermagem obstétrica, essa taxa varia entre 25 e 68, segundo a Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo), em 2023.

Os enfermeiros obstétricos cuidam da saúde da mulher durante a gravidez, parto e pós-parto, priorizando partos naturais e humanizados, com atenção à fisiologia do parto para evitar intervenções desnecessárias e danos. Essa prática busca diminuir o número elevado de cesarianas no Brasil, que aumenta o risco de morte materna em até 70 vezes, conforme especialistas.

A formação é realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em conjunto com 38 instituições e com o apoio da Abenfo. Renné Costa, conselheiro do Cofen, vê a iniciativa com bons olhos e destaca a diferença do Brasil para o resto do mundo, onde há quatro enfermeiros para cada médico, enquanto aqui é o contrário.

Costa também chama a atenção para fatores culturais que associam o parto natural ao SUS e o parto cirúrgico a planos de saúde, influenciados pela mídia, como novelas que mostram o parto vaginal como algo doloroso e inseguro. Ele é contrário à violência obstétrica e reprova o uso indiscriminado de ocitocina e a manobra de Kristeller, práticas proibidas pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Experiências pessoais ressaltam a importância desse cuidado. A empresária Valéria Monteiro, de Arapiraca (AL), relatou que teve sua terceira filha, Maria Catarina, por parto normal acompanhado pela enfermeira obstétrica Maria Luiza Bezerra, o que trouxe confiança e tranquilidade, diferente de uma cesariana difícil que experienciou anteriormente.

No Rio de Janeiro, a coordenadora materno-infantil da Secretaria de Estado de Saúde, Margareth Portella, afirma que a cidade tem boa cobertura de enfermeiros obstétricos, que são essenciais para partos de risco habitual. No Hospital da Mãe de Mesquita, na Baixada Fluminense, mais de 70% dos partos vaginais são conduzidos por esses profissionais. No entanto, áreas afastadas enfrentam problemas devido à falta de prática, mesmo com capacitação teórica.

A SES-RJ prioriza a contratação de profissionais experientes e oferece treinamento prático nas unidades. A rede municipal do Rio de Janeiro tem 13 maternidades e uma Casa de Parto, todas com presença de enfermagem obstétrica.

Costa, que se especializou em 2014 na antiga Rede Cegonha, conta que sua formação mudou a maternidade em Viçosa (AL), aumentando os partos anuais de 80-90 para 500-600 e diminuindo riscos para as gestantes. Ele acredita que é importante ampliar esse atendimento na atenção básica, com planos de parto personalizados e maior participação da família, o que pode reduzir desigualdades.

A Rede Alyne, lançada em 12 de setembro de 2024, atualiza a Rede Cegonha criada em 2011 e homenageia Alyne Pimentel, que morreu em 2013 por negligência médica. Seu caso levou o Brasil a ser o primeiro país condenado por morte materna no sistema global de direitos humanos. O projeto tem como meta reduzir a mortalidade materna em 25% e em 50% para mulheres negras até 2027, assegurando atendimento humanizado.

No lançamento em Belford Roxo (RJ), a ministra Nísia Trindade destacou a importância da redução da mortalidade materno-infantil e a qualidade do cuidado às gestantes, parturientes, puérperas e recém-nascidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o compromisso com respeito e dignidade no atendimento às grávidas.

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