Estudantes de vários países, que estudam na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, participaram de um curso em Brasília entre os dias 5 e 23 de janeiro. Nesse curso, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi usado como exemplo internacional para o desenvolvimento de projetos em saúde pública. O objetivo foi trocar experiências e conhecimentos entre diferentes realidades dos países envolvidos.
O curso foi realizado pela Harvard T.H. Chan School of Public Health, junto com o Ministério da Saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Programa de Estudos do Brasil do David Rockefeller Center for Latin American Studies (DRCLAS) da Universidade de Harvard. No total, 30 pessoas participaram, divididas igualmente entre representantes da universidade americana e profissionais brasileiros. Esta foi a 18ª edição do curso no Brasil, que já foi promovido em cidades como São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Curitiba, Fortaleza e Manaus.
Adriano Massuda, secretário-executivo do Ministério da Saúde, deu a aula de introdução sobre o SUS e acompanhou toda a atividade. Segundo ele, a combinação entre conhecimento científico, políticas públicas e a realidade das comunidades fortalece o destaque do Brasil no cenário mundial da saúde. Ele afirmou: “Este curso confirma o SUS como referência mundial em políticas públicas de saúde e mostra a importância da parceria entre universidades e órgãos governamentais para formar líderes dedicados à justiça, à ciência e ao cuidado da população.”
O programa incluiu aulas ministradas por secretárias como Mariângela Simão, da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVSA), e Ana Estela Haddad, da Secretaria de Informação e Saúde Digital (Seidigi), além de diretores de departamentos ligados a imunização, saúde indígena, cuidado ao câncer e monitoramento de informações em saúde.
Em 2024, o curso foi dividido em cinco temas principais: gestão do Ministério da Saúde, valorizando o Programa Agora Tem Especialistas; saúde na região da savana tropical; saúde indígena; atenção básica, com destaque para a imunização; e cuidados especializados, especialmente no tratamento do câncer.
A médica infectologista da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Eveline Vale, que trabalha no SUS há 20 anos, participou do curso e ressaltou a importância do reconhecimento internacional para melhorar sempre. Ela disse: “Esta experiência aumentou ainda mais o orgulho de fazer parte do SUS e do trabalho do Ministério da Saúde. Comparando diferentes realidades, percebemos que o Brasil está à frente em áreas como o Programa Nacional de Imunizações, que é um dos melhores do mundo.”
A estudante de Harvard, Ida Kozuchowska, disse que o curso ajudou a entender a complexidade e a dimensão do SUS. “Esse aprendizado me permitiu ver os desafios e as oportunidades de um sistema que atende um país tão grande e diverso. Ver como as pessoas participam desse sistema ampliou minha visão sobre soluções possíveis para sistemas de saúde grandes e complexos.”
A metodologia do curso combinou conhecimentos acadêmicos, experiências práticas e vivências pessoais. As atividades incluíram palestras, debates, visitas técnicas e trabalhos em grupo, com foco em criar propostas baseadas em evidências científicas para apoiar políticas e programas do Ministério da Saúde. Muitos projetos criados em edições anteriores já foram implementados nos locais onde a formação aconteceu.
