23.5 C
Brasília
sexta-feira, 27/03/2026

Surto de chikungunya atinge indígenas e fecha escolas na maior reserva urbana do Brasil

Brasília
nuvens quebradas
23.5 ° C
25 °
23.5 °
69 %
7.2kmh
75 %
sex
24 °
sáb
24 °
dom
24 °
seg
24 °
ter
24 °

Em Brasília

BÁRBARA SÁ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A chikungunya está se espalhando rapidamente na maior reserva indígena dentro de uma cidade no Brasil, causando a morte de cinco indígenas, o fechamento de escolas nas aldeias Jaguapiru e Bororó e a criação de um posto de atendimento temporário em uma quadra escolar em Dourados (MS).

De acordo com dados da prefeitura, todos os mortos são indígenas, incluindo dois bebês com 1 e 3 meses e três idosos. A maior parte dos casos está concentrada nas aldeias, localizadas no território federal da Reserva Indígena de Dourados, que cobre 3.200 hectares e abriga cerca de 21 mil pessoas das etnias guarani, terena e caiuá.

O boletim específico para indígenas relata 1.239 casos suspeitos, 564 confirmados e 1.396 notificações. O documento destaca que a maior preocupação está nas aldeias indígenas, apesar de a doença estar se espalhando para outras áreas da cidade.

Apesar da situação grave, houve falta de agentes especializados no combate ao mosquito transmissor nas aldeias. Segundo Rodrigo Stabeli, diretor da Força Nacional do SUS, essa ausência ocorreu devido a um impasse entre as responsabilidades do município, estado e governo federal, pois os agentes são municipais, mas a área é federal.

Agora, está sendo feita uma contratação emergencial para que esses profissionais possam atuar no combate à doença. Equipes da Força Nacional, estado e prefeitura trabalham juntas para controlar o surto.

Na última semana, devido ao aumento dos casos, muitas aulas foram suspensas após professores, funcionários e alunos adoecerem. Em uma das escolas, mais da metade dos funcionários tiveram sintomas da doença, e várias outras também estão com alto número de contaminações.

Para atender a população, foi montada uma estrutura improvisada na quadra da escola Tengatui Marangatu, com macas para hidratação e avaliação dos moradores, inicialmente com profissionais do Hospital Universitário da UFGD e depois com apoio do Ministério da Saúde.

Stabeli explicou que a resposta federal tem três frentes: assistência médica, controle do mosquito e análise da situação local. As equipes fazem visitas nas casas, buscam casos ativos e eliminam locais onde o mosquito se reproduz. Um em cada dez potenciais focos do mosquito estava contaminado, o que aumenta o risco de transmissão.

As condições locais colaboram para o aumento do mosquito, principalmente porque muitas pessoas armazenam água devido à falta de abastecimento regular.

O cacique Vilmar Martins Machado da Silva, da aldeia de Dourados, descreve que a situação está crítica e sem sinais de melhora, destacando que a coleta de lixo e a limpeza adequada são urgentes, mas ainda não estão acontecendo como deveriam.

Além disso, o sistema de saúde local está sobrecarregado, com 37 internações atuais e uma taxa de ocupação hospitalar de 97%. A epidemia já está afetando desde a atenção básica até os hospitais.

No município como um todo, existem 1.638 casos suspeitos e 780 confirmados, com uma alta taxa de positividade, demonstrando que o vírus está se espalhando de forma intensa entre as pessoas que apresentam sintomas.

Para o infectologista Júlio Croda, da Fiocruz e da UFMS, o cenário já ultrapassou o nível de alerta, especialmente nas aldeias, onde a concentração de casos é maior devido à menor população.

Em resposta à crise, o Ministério da Saúde deve enviar 40 mil doses de vacina contra chikungunya para Mato Grosso do Sul como parte de um projeto piloto. A vacina será aplicada em dose única para pessoas de 18 a 59 anos, porém a data para o início da vacinação ainda não foi definida.

Veja Também