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quarta-feira, 04/03/2026

Supermercados prometem remédios mais baratos com nova lei; farmácias discordam

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DANIELE MADUREIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Uma nova lei que permite os supermercados venderem remédios deve trazer preços menores, segundo os supermercados. A lei foi aprovada pela Câmara dos Deputados e está aguardando a aprovação do presidente. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apoia essa medida.

No ano passado, houve uma disputa entre supermercados e farmácias sobre o assunto. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) acredita que a concorrência deve baixar os preços.

Por outro lado, a Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) não acredita que os remédios fiquem mais baratos nos supermercados, porque seus preços são controlados pelo governo.

O mercado de medicamentos no Brasil é de R$ 227 bilhões e cresceu 12% no ano passado. O país é o 8º maior mercado mundial. Deste total, 65% das vendas são em farmácias, e 35% em hospitais e clínicas, segundo o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma).

Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma, diz que não espera grandes mudanças nos preços, pois eles são regulados pelo governo. Ele explica que a venda pode ser vantajosa quando o estoque foi comprado antes de um aumento de preços, mas que a regra é o governo controlar os valores.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que as farmácias não podem cobrar valores acima do teto estabelecido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O preço máximo é atualizado todo mês, e há um aumento autorizado uma vez por ano, todo dia 1º de abril.

Belmiro Gomes, CEO do Assaí, um grande supermercado, comentou no ano passado que, assim como a rede é líder na venda de pneus, pode fazer o mesmo com remédios, reduzindo os preços. A rede Assaí planeja abrir farmácias em 25 lojas no estado de São Paulo ainda este ano, com farmacêuticos presentes e variedade de medicamentos, conforme a nova lei.

O consultor Alberto Serrentino, sócio da Varese Retail, acredita que os remédios podem ser uma nova fonte de receita para os supermercados grandes, mas alerta que montar uma farmácia é um processo complexo e caro, que exige profissionais especializados e uma estrutura adequada.

A lei permite que os supermercados montem ou licenciem farmácias dentro de suas unidades, que devem ter farmacêuticos durante todo o horário de funcionamento e um espaço separado fisicamente do mercado. É proibido expor remédios nas gôndolas do supermercado fora da farmácia.

Medicamentos que precisam de receita médica só podem ser entregues ao comprador em embalagem lacrada do balcão da farmácia até o pagamento. Os supermercados poderão também vender medicamentos por meio de plataformas de vendas online.

Para Serrentino, ter farmácias nos supermercados traz conveniência aos clientes, mas a concorrência com as grandes redes de farmácias, que oferecem muitos serviços de saúde e atendimento especializado, será difícil.

Os laboratórios costumam oferecer descontos a pacientes cadastrados, negociando com as farmácias. Esses preços variam pouco entre farmácias diferentes.

Sergio Mena Barreto, presidente da Abrafarma que representa as maiores redes de farmácias do país, acredita que os laboratórios não vão querer prejudicar o setor farmacêutico, que tem grande capilaridade com mais de 11 mil pontos de venda só das associadas da Abrafarma. Se fizerem descontos para supermercados, terão que oferecer para as farmácias também.

As 30 maiores redes de supermercados do país somam menos de 4.500 lojas, e nem todas podem montar farmácias em suas unidades, segundo ranking da Abras.

Marina Paullelli, coordenadora do programa de saúde do Idec, diz que para preços mais justos é preciso mudar as regras, pois medicamento não é um produto comum e sua venda deve ser organizada para garantir o acesso à saúde pública.

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