Ali Khamenei, líder supremo do Irã, faleceu após ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel, deixando em aberto a sucessão do comando do regime teocrático islâmico xiita, que liderava desde 1989.
Interinamente, o aiatolá Alireza Arafi foi nomeado para a chefia do país enquanto a Assembleia de Peritos escolhe seu sucessor. Este grupo é composto por 88 líderes religiosos xiitas, conhecidos como aiatolás, eleitos pelo povo e responsáveis por decidir, por maioria simples, o novo líder supremo.
Além disso, a eleição depende de aprovação do Conselho de Guardiões, formado por 12 membros, metade indicados pelo líder supremo e a outra metade pelo chefe do Judiciário, escolhido também pelo líder supremo.
Espera-se que o próximo líder mantenha a linha radical do islamismo xiita, já que o processo é estruturado para garantir a continuidade da influência do atual regime. Rodrigo Medina, historiador e chefe do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acredita que a possibilidade de um líder progressista e simpático ao Ocidente é mínima.
O local onde a Assembleia de Peritos se reúne, na cidade de Qom, foi atacado recentemente por Israel, informação confirmada pela mídia israelense e negada pela mídia estatal iraniana, que afirmou que o prédio foi evacuado a tempo, e não há relatos de feridos entre os aiatolás.
Papel da Guarda Revolucionária
A Guarda Revolucionária, braço paramilitar fiel ao regime xiita, também exerce papel crucial nos rumos do país. Ela é conhecida pela defesa dos princípios radicais do islamismo xiita e do nacionalismo religioso iraniano. Segundo Rodrigo Medina, a chance de essa instituição abandonar o regime atual é baixíssima, a menos que haja uma força interna significativa contrária ao atual comando, o que é pouco provável.
Desde a Revolução Islâmica de 1979, a Guarda Revolucionária tem sido uma das principais forças que mantêm a estabilidade do regime, sendo defensora ferrenha das ideologias religiosas e políticas vigentes.

