A proteção do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus ministros será intensificada durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus, acusados de conspirar contra a ordem democrática. Essa operação de segurança se estenderá também aos eventos do dia 7 de setembro até a posse do ministro Edson Fachin como presidente do STF, em 29 de setembro.
O plano de segurança inclui inspeções nas residências dos ministros, o bloqueio da Praça dos Três Poderes e a permanência de agentes na sede do tribunal, em Brasília. Todos os detalhes da operação foram planejados em cooperação entre as forças de segurança.
O julgamento terá início na terça-feira, 2 de setembro, e vai até o dia 12 do mesmo mês. Devido aos frequentes ataques contra os membros do STF desde 8 de janeiro, as residências dos magistrados passaram a ser monitoradas semanalmente.
Durante esse período, todas as áreas do STF, incluindo as instalações da Primeira Turma, onde ocorrerão as sessões, serão submetidas a inspeções rigorosas antes do ingresso de ministros, advogados, jornalistas e assessores. A Polícia Federal realizará uma vistoria inicial com cães farejadores às 6h do dia 2 de setembro.
A segurança do tribunal atua em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, aumentando o uso de tecnologia como drones, detectores de metais e ampliando o efetivo de agentes. Esses agentes trabalharão em turnos contínuos para assegurar a proteção de toda a corte.
Agentes judiciais de outros tribunais, como o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, Tribunal Superior do Trabalho e Tribunal Regional Federal da 1ª Região, foram convocados para reforçar a equipe.
Segurança 24 horas
Desde o início das operações, cerca de 30 agentes adicionais permanecem durante a noite no STF, vindos da Justiça Federal do Rio de Janeiro e dos Tribunais Regionais do Trabalho do Rio de Janeiro e São Paulo.
Em 1º de setembro, a Polícia Militar do Distrito Federal enviará viaturas e policiais para garantir a vigilância contínua em frente ao prédio do STF até o fim do julgamento e durante o 7 de setembro.
Segundo o Supremo, “o STF possui um plano estruturado para grandes eventos e julgamentos de grande interesse público. Além dos policiais judiciais, haverá uma força-tarefa integrada por policiais do Distrito Federal e de outras localidades. As equipes de segurança atuam 24 horas por dia, sete dias por semana, adaptando constantemente as estratégias de acordo com a análise de risco para garantir a segurança institucional e do público envolvido.”
Início do julgamento do grupo central
O presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin, marcou para 2 de setembro o começo do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados do denominado “núcleo central” da suposta conspiração golpista, atendendo a um pedido do ministro Alexandre de Moraes.
Foram convocadas sessões extraordinárias para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro de 2025, das 9h às 12h, com mais uma sessão no dia 12, das 14h às 19h, bem como sessões ordinárias nos dias 2 e 9 de setembro das 14h às 19h.
Bolsonaro e seus aliados, entre eles o ex-ministro Braga Netto e ex-ajudante de ordens Mauro Cid, são acusados de tentar impedir o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022 para se manterem no poder, com o julgamento sendo realizado presencialmente.
Acusados do núcleo central
- Alexandre Ramagem: ex-diretor da Abin, acusado de espalhar notícias falsas sobre fraude eleitoral.
- Almir Garnier Santos: ex-comandante da Marinha, teria apoiado o golpe oferecendo tropas.
- Anderson Torres: ex-ministro da Justiça, acusado de assessorar juridicamente Bolsonaro no plano golpista, com documentos encontrados em sua residência.
- Augusto Heleno: ex-ministro do GSI, participou de propaganda enganosa contra o sistema eleitoral e planejamento para desacreditar as urnas eletrônicas.
- Jair Bolsonaro: líder da trama, acusado de comandar o plano para se manter no poder postas as eleições.
- Mauro Cid: ex-ajudante de ordens e delator, participante das reuniões e mensagens relacionadas ao golpe.
- Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa, apresentou decreto para anular o resultado eleitoral.
- Walter Souza Braga Netto: ex-ministro e general, único preso, acusado de obstruir investigações e financiar ações ilegais.
As defesas entregaram as alegações finais ao STF em 13 de agosto, argumentando a falta de provas para ligar os acusados ao planejamento do golpe.
A partir de 2 de setembro, a Primeira Turma analisará o caso para decidir a condenação ou absolvição dos réus. O colegiado é formado pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Flávio Dino.